América Latina

Greve geral contra Maurício Macri para Argentina

Pela terceira vez em seu mandato o presidente argentino Mauricio Macri se depara com uma greve geral. Os sindicatos convocaram uma greve de 24 horas, onde desafiam a política econômica do governo, principalmente o acordo feito com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para um resgate de 50 bilhões de dólares como estratégia para enfrentar a crise cambial no país com a recente escalada do dólar que já levou o governo a subir a taxa de juros de 22% para 40%. A greve afeta serviços como transportes, escolas, bancos, coleta de lixo e postos de gasolina no país e reflete também nos aeroportos com atraso de voos.

O pedido de empréstimo ao FMI contraria declarações do próprio ministro da Fazenda argentino, Nicolás Dujovne, que em março de 2017 prometera que o país não voltaria aos empréstimos do FMI.
A paralisação afeta serviços como transportes, escolas, bancos, coleta de lixo e postos de gasolina no país.

Os sindicatos protestam também pelo aumento de tarifas e pedem o fim das demissões da administração pública. Como proposta concreta, os sindicatos pedem a reabertura da negociação de ajustes salariais desse ano, para que se alinhem à projeção de inflação, calculada agora pelo Banco Central em 27%, já que as negociações realizadas no começo do ano fizeram um cálculo de 15%.

Pesquisas indicam que, pela primeira vez, se as eleições fossem hoje, Macri perderia para a ex-presidente e senadora Cristina Kirchner. Segundo pesquisa do Grupo de Opinião Pública realizada em junho, Cristina venceria Macri em eleições por 36% a 30%.

O desemprego na Argentina chegou a 9,1% no primeiro trimestre do ano, contra 7,2% no último trimestre de 2017. O acordo com o FMI contém uma cláusula que permite ao Estado elevar o gasto em projetos sociais no caso de aumento da pobreza, que em 2017 atingiu 25%.

Histórico com o FMI

O histórico da Argentina com o Fundo é de um movimento conturbado que já dura décadas. A relação incluiu, na história recente, o respaldo do organismo ao regime de conversibilidade cambial adotado na década de 1990 pelo governo de Carlos Menem.

A estratégia, que fracassou e culminou na crise política e econômica de 2001, foi de adotar a paridade entre o peso e o dólar, fixando o câmbio em “1 para 1”. A economia argentina afundou e a dívida com o Fundo se arrastou pelos governos seguintes.

Após o pagamento da dívida, no governo de Néstor Kirchner (2003-2007), os contatos passaram a ser conflituosos e as equipes do FMI deixaram o país.
Durante os anos de Cristina Kirchner, sucessora de Néstor, o Fundo cortou as relações com o país em seus relatórios de observação por considerar que os dados econômicos divulgados pela Casa Rosada não eram confiáveis.
Quando o kirchnerismo saiu do governo em dezembro de 2015, após o fim dos governos de Cristina, Macri iniciou uma reaproximação com o Fundo.

Com informações da BBC

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