Brasil

Haddad dispara nas pesquisas e atiça o jornalismo de guerra

Em sua videocoluna desta semana, Altamiro Borges comenta que o candidato de Lula aparenta estar disposto a enfrentar os Barões da mídia que controlam o Brasil. “Isso faria um bem para a democracia brasileira e diminuiria os riscos de novos golpes no país.”

Oficializado o candidato, Fernando Haddad já percebeu que vai ser alvo de uma brutal artilharia da mídia que deu o golpe contra Dilma Rousseff e que alçou ao poder a quadrilha de Michel Temer.

Parece que Fernando Haddad já sentiu o bafo da arapiraca.

Essa disparada dele nas pesquisas, esse último Ibope por exemplo, Haddad sobe onze pontos percentuais e já se aproxima do coiso, do candidato fascista que está em primeiro lugar nas intenções de voto.

Essa disparada vai atiçar um jornalismo de guerra contra ele – a impressão que me dá é que o Haddad percebeu.

Ele, quando foi prefeito de São Paulo, já sentiu a barra pesada da chamada grande imprensa. Haddad não teve um minuto de paz durante toda sua gestão.

Infelizmente, nessa ocasião, ele não tomou nenhuma atitude que estimulasse a diversidade e a pluralidade de informação em São Paulo.

Sendo agora o candidato do Lula, como todo mundo brinca, ele sabe que o ex-presidente só está no cárcere em função da pressão que a mídia exerceu.

A mídia exigiu a prisão política de Lula.

Então, o Haddad está prevendo que coisas ruins vêm por aí e a impressão que me dá é que ele já está aplicando algumas vacinas. Ele tem dado declarações que demonstram uma certa predisposição a enfrentar a ditadura midiática, caso ele seja eleito presidente da república.

Vale lembrar que em pleno Jornal Nacional ele deixou o âncora teleguiado da família Marinho, o chamado bonitão, com cara de nádega ao lembrar que a TV Globo é investigada pela Receita Federal.

Já nesta semana, na sabatina da Folha, Haddad questionou a concentração midiática que existe no Brasil – onde sete famílias controlam o grosso dos meios de comunicação e foi muito taxativo ao dizer que pretende discutir com a sociedade, uma proposta de regulação do setor que limite o monopólio e estimule a concorrência.

Essa aparente posição do Haddad de enfrentar a ditadura midiática vai gerar uma crise.

Os Barões da Mídia não toleram essa discussão. Para bloquear e interromper esse debate eles sempre insinuam que qualquer proposta de regulação significa censura, significa restringir a liberdade de expressão – essa é a forma que os Barões da Mídia sempre usaram no Brasil para interditar a discussão sobre a mídia e como a mídia é essencial para a democracia.

Isso é pura bravata dos Barões porque a regulação desse setor existe no mundo inteiro. Em todos os continentes você tem legislações que tratam sobre mídia, o Brasil é uma exceção, no Brasil não se discute mídia.

Vamos pegar dois exemplos básicos.

A imprensa nativa com seu complexo de vira-lata, com seu espírito colonizado, adora os Estados Unidos, tudo o que os EUA fazem é ótimo.

Pois bem, então deveriam estudar um pouco o que ocorre nos EUA. Na verdade eles sabem.

Nos Estados Unidos existe uma forte regulação do setor de comunicação. Desde a década de 20 o FCC é um órgão que faz o acompanhamento do que ocorre na mídia. É um órgão da sociedade que acompanha o que ocorre na mídia.

Para se ter uma ideia, nesse período, mais de cem outorgas de rádio e televisão já foram cassadas nos Estados Unidos porque a mídia não pode fazer o que lhe dá na telha.

Uma das últimas cassações de outorgas nos EUA foi uma televisão local que fez propaganda do Holocausto nazista. O FCC não teve dúvidas, cassou a outorga porque a televisão – que é uma concessão pública – não pode fazer propaganda de tortura, assassinato, câmara de gás, não pode fazer propaganda do holocausto que matou mais de seis milhões de judeus, comunistas e ciganos na Alemanha.

Lógico que o Bolsonaro e sua turma, seus seguidores fanáticos e idiotas, devem achar que o FCC é um antro de comunistas mas não é não, é no coração do sistema capitalista – nos Estados Unidos.

Nos EUA também tem um “leizinha” que proíbe a chamada propriedade cruzada que é a cartelização dos meios de comunicação. Uma mesma empresa não pode ter TV aberta e TV por assinatura, rádio AM e rádio FM, internet, jornal e revista.

Imaginem se essa lei fosse aplicada no Brasil, coitada da família Marinho.

Já no Reino Unido, o chamado berço do capitalismo, também desde a década de 20, existe um órgão, uma oficina de comunicação, Ofcom, que faz a regulação do setor. É também um órgão duríssimo em garantir uma civilidade nas concessões públicas de rádio e televisão.

Por exemplo, esses programas policialescos – muito comuns aqui no Brasil, que vazam sangue – lá são proibidos pela Ofcom. Não se pode ficar estimulando violência para crianças.

Isso, aplicado no Brasil, a Bancada da Bala não iria gostar muito já que ela é eleita graças a esses programas.

No Reino Unido não existe só uma mídia privada forte, nos dois sentidos da palavra. Existe, também, uma mídia pública forte.

O Reino Unido estimulou canais públicos fortes, veja o caso da BBC uma referência no mundo de produção de qualidade – não estou entrando no mérito do conteúdo – feita por uma emissora pública.

Agora, recentemente, em função dos tablóides sensacionalistas, no Reino Unido foi baixada uma legislação muito dura contra jornais e revistas. Ou seja, nem são concessões públicas, são empresas privadas explorando o setor privado.

Quem baixou essa legislação foi uma bolivariana, marxista-leninista da Inglaterra chamada Rainha Elizabeth.

Uma lei duríssima em que se um jornal fizer um ataque sem provas contra uma determinada pessoa, essa pessoa entra com um processo e a multa é uma grana brava – não é essa merreca que se cobra aqui no Brasil. Além da multa, o veículo sensacionalista que cometeu esse crime é obrigado a dar o mesmo espaço, com o mesmo destaque, para a pessoa retrucar.

Imaginem se essa legislação fosse aplicada no Brasil. E volto a dizer, foi sancionada pela Rainha Elizabeth.

Regulação não é o problema, não tem a ver com censura ou liberdade de expressão. Regulação tem haver com democracia.

Vamos ver como caminha o processo eleitoral no Brasil e eu espero que o Fernando Haddad, caso seja eleito, não recue nessa disposição de enfrentar a ditadura midiática no país.

Isso faria um bem lascado para a democracia brasileira, isso diminuiria os riscos de novos golpes nesse país tão sofrido.

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  1. Clarissa Campello says:

    Haddad quer se eleger como o candidato da paz… aí vem vocês dizer que ele vai atiçar a guerra… é um título péssimo para uma reportagem boa… compartilhei e depois apaguei… só por causa desse título idiota.

  2. Clarissa,
    Com todo respeito, não diria que trata-se de um título idiota. Achei que poderia ter sido escrito de forma diferente, pois como está pode levar a interpretação de que o Haddad atiçou o jornalismo de guerra. Mas, não é isso. O texto deixa claro. Observo que a questão não é o Haddad ser um candidato da paz. O que a matéria mostra – e tenho certeza que você entendeu – é que um jornalismo de guerra foi atiçado pelo simples fato do Haddad ter disparado nas pesquisas e de ter dito que irá tentar discutir com a sociedade uma proposta de regulação da mídia. O que efetivamente está acontecendo, independentemente do Haddad ser ou não uma pessoa da paz. Portanto, particularmente, teria escrito diferente, como por exemplo: “Haddad dispara nas pesquisas o que faz atiçar o jornalismo de guerra”. Mas, longe de ser um título idiota.
    Att
    Fernando

    Em tempo: Ele NUNCA!!!

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