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Pastora luterana que defendeu a descriminalização do aborto no STF é ameaçada

A pastora luterana Lusmarina Campos Garcia, uma das especialistas a defender a descriminalização do aborto em audiência pública convocada pelo Supremo Tribunal Federal nessa segunda-feira, tem sido alvo de xingamentos e ameaças.

Na página de Facebook da pastora, um usuário escreveu: “O que dizer desta vagabunda que se diz pastora, e luterana? Merece uma surra, não é? Seria uma honra matá-la”.

Em outro comentário diz que “uma sessão de testes de tiros de fuzil nela daria noção em segundos”.

O usuário depois deletou os comentários.

Reprodução: Facebook

 

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Pastora da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), teóloga e mestre em direito, Lusmarina afirmou na tribuna que, apesar dos principais argumentos contra a descriminalização serem religiosos, não há na Bíblia trechos que condenem o aborto: “Há séculos um cristianismo patriarcalizado é responsável por penalizar e legitimar a morte de mulheres”.

“Por que uma parte das tradições religiosas, que são construções históricas, insistem em disseminar e reproduzir a misoginia, controlando os corpos das mulheres e penalizando-as psiquicamente por causa do suposto pecado e da culpa e também criminalmente? As inquisições contra as mulheres continuam, mesmo travestidas por outras faces e formas”, disse a pastora.

Para Lusmarina, o aborto é uma questão de saúde pública e não deve ser resolvida com o direito penal e nem pela Bíblia, “sobretudo por uma leitura enviesada por interesses masculinos”.

Lusmarina ressaltou a importância da laicidade do estado para garantir a igualdade: “Em especial a igualdade de gênero e religiosa e de consciência, inclusive no que diz respeito à possibilidade de decidir como, quando e se leva adiante uma gestação ou não”.

Assista abaixo à fala da pastora na íntegra:

 

Mobilização

O Senado da Argentina vota, nesta quarta-feira (8), o projeto que pode legalizar o aborto no país. Em meio à luta pela Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 442, apresentada pelo PSOL e pela Anis – Instituto de bioética, que pode descriminalizar a interrupção voluntária da gravidez no Brasil até a 12ª semana, atos foram convocados pelo Brasil em apoio às mulheres argentinas.

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