Brasil

Alberto Villas estreia no Nocaute com o “Copidescando”. Os jornalões que se cuidem.

O jornalista Alberto Villas terá uma coluna semanal e vai canetar os títulos e manchetes dos jornalões. O primeiro vem do jornal Folha de São Paulo, que pôs o seguinte título: “Bolsonaro não é Trump”. Depois da canetada de Villas, ficou: “Bolsonaro não é Trump. Consegue ser pior”.

Olá;

pra quem não me conhece eu sou Alberto Villas, jornalista, mineiro e cronista do site da revista Carta Capital.

Comecei no jornalismo no início dos anos 70, no jornal Estado de Minas (em Minas Gerais), depois passei quase uma década em Paris.

Trabalhei pro Movimento, para o Versus, jornais alternativos. Voltei para o Brasil em 80 e fui trabalhar no Estadão onde criei o Caderno 2. Depois fui para a Folha e aí passei para a televisão Bandeirantes, Abril Vídeo, SBT.  Nos últimos 14 anos eu trabalhei na Rede Globo, no Fantástico.

Hoje trabalho por conta própria. Me aposentei para fazer só as coisas que eu gosto.

E uma das coisas que eu gosto é trabalhar com título, com texto, com manchete, com capa de revista.

Eu sou um colecionador, um observador desses itens há muitos anos.

Então, vou estrear aqui no Nocaute com uma coluna que chama Copidescando. Pra quem não é do ramo, copidescar é melhorar, acertar, tornar o título ou o texto mais inteligível para as pessoas.

Como a nossa imprensa anda muito parcial, tenho percebido que eles estão precisando de uma boa canetada nesses títulos. E é o que eu vou fazer a partir de agora.

Pra hoje eu selecionei cinco títulos que eu vou mostrar para vocês:

O primeiro vem do jornal Folha de São Paulo, na coluna do Ombudsman, que pôs o seguinte título: “Bolsonaro não é Trump”.

Aí eu resolvi meter a caneta vermelha e acrescentar: consegue ser pior. Então ficou: “Bolsonaro não é Trump. Consegue ser pior”.

O segundo título saiu no site  UOL e era o seguinte: “Janaina recusa convite para vice de Bolsonaro e abre espaço para ‘príncipe'”.

Minha caneta vermelha consertou esse título e ficou assim: “Janaina recusa convite para vice de Bolsonaro e abre espaço para ler o ‘Pequeno Príncipe’“.

O terceiro, também é do UOL: “Senadora Marta Suplicy recusa ser vice de Meirelles e deixa o MDB”.

Achei que ficaria melhor assim: “Senadora Marta Suplicy recusa ser, porque na verdade ela não sabe bem o que ela é”.

Ela é uma pessoa de esquerda, direita, de extrema direita? Não se sabe, acho melhor ficar assim: “Senadora Marta Suplicy recusa ser”.

O quarto está no site G1 que diz o seguinte: “Governo da Venezuela diz que Maduro foi alvo de atentado”. A imprensa agora está com mania disso. Parece que ela está com medo de dar a notícia. Então, outro dia saiu assim: “Fulano morre, diz família”. “Fulano morre, diz amigo.” Parece que eles têm medo de dizer: “Fulano morreu”.

Então, eles colocaram que o governo da Venezuela diz que teve um atentado, sendo que a gente tinha imagens do atentado, a gente tinha imagens de tudo e sete militares feridos. Aí eu meti a caneta e ficou: “Maduro foi alvo de atentado”. Tirei fora o “governo da Venezuela diz que”.

E o último, na verdade, do site Notícias da TV e eu pensei o que eu poderia canetar e achei melhor não canetar nada. Isso está perfeito e muito engraçado. Na verdade, deveria ser um título de uma pornô chanchada. Vamos ver lá: “Globo contratou Faustão com salário milionário para tapar buraco de Gugu”. É muito engraçado.

 

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  1. Aguardo com ansiedade. Falamos muito da grande mídia e não damos a devida atenção à mídia nanica. Moro na área rural do sertão norte baiano. Se eu marcar uma área que vai de Petrolina/Juazeiro, microrregião de Senhor do Bonfim e Jacobina, todas as rádios que consigo sintonizar são visceralmente inimigas da esquerda. E o pior é que pouco estão se preocupando com os fatos. Omite-se, mente-se e adultera-se à vontade. Por exemplo, nesta semana a Rádio Clube, de Jacobina, dizia, em seu noticiário do meio dia, que o lucro da Petrobras devia-se ao fim da corrupção na empresa.

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