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Guilherme Estrella, descobridor do Pré-Sal: Petrobrás está sendo saqueada.


Estamos vivendo desde 2016 a conclusão de um projeto de país inaugurado com os dois governos de Fernando Henrique Cardoso. O primeiro passo no governo FHC foi rever a Constituição. Iniciou-se então esse projeto de país, preparado lá fora, agredindo os verdadeiros interesses brasileiros.
Cai o monopólio estatal do petróleo, as bacias brasileiras prospectivas para petróleo são abertas para capital estrangeiro e se inicia uma série de privatizações das nossas empresas estatais, principalmente na área de energia e das comunicações.
A Petrobras estava nessa lista e não houve a privatização da Petrobras naquele tempo porque, ainda que tivesse se tomado as medidas mais esdrúxulas como mudar o nome para Petrobrax, algo completamente sem cabimento. A abertura das áreas para as empresas estrangeiras virem após a queda do monopólio, a Petrobras se concentra na Bacia de Campos, que era a bacia mais produtiva. Essa tendência de atendimento ao mercado, ao acionista privado da companhia, já se fez presente naquela época.
Para que vou ter a unidade do Espírito Santo, por exemplo? Quero ficar no filé mignon do que eu já achei, conseguir o maior lucro possível e distribuir os dividendos.
Mas perdem a eleição de 2002. Tínhamos ainda dois ou três campos na Bacia de Campos, em fase de instalação de novas plataformas de produção. O Lula vê nisso uma excelente oportunidade e implanta a política de conteúdo nacional.
Mas a indústria naval brasileira tinha sido sucateada pelo próprio FHC. Foi necessário um investimento muito grande, com apoio do BNDES, inclusive, para a reinstalação dos nossos estaleiros.
De lá para cá, parte do projeto do país subalterno e submisso aos interesses estrangeiros já instalado, e em 2006 acontece o pré-sal. A gente atinge a autossuficiência em 2006 também, mas uma autossuficiência fugaz, porque o Brasil começa a consumir muito petróleo. Isso é um ponto importante. E a gente perde autossuficiência. Eu disse sempre que nós não conseguimos a autossuficiência, eu era o diretor – nós fomos atingidos pela autossuficiência.
Ainda em 2013, na primeira rodada de licitação da ANP, em agosto de 2013, a Petrobras já se prepara para atuar firmemente, agressivamente nessa primeira licitação do governo Lula. Dentro do modelo de associação com empresas estrangeiras, montamos umas três ou quatro associações com empresas estrangeiras, nós operando para participarmos da licitação.
Na véspera da licitação, as empresas estrangeiras todas caem fora. E não houve dúvida, a Petrobras confirma o interesse e vamos para a licitação e somos os grandes vencedores. Sem nenhuma associação com o capital estrangeiro.
E perdemos um bloco. O nosso gerente, no hotel em que estava desenrolando a licitação, me telefona e disse que perdemos um bloco. Bati o telefone e toca novamente. Era minha secretária, dizendo que a ministra de Minas e Energia queria falar comigo. “Estou sabendo que o senhor perdeu um bloco”, ela disse. Eu falei: “Foi uma questão de proposta nossa com relação a conteúdo nacional”. Ela respondeu: “Eu respeito as suas posições mas não é isso que eu quero dizer. Estou dizendo que esse fato não se repetirá, da Petrobras perder um bloco”.
Essa sinalização dizendo que o nosso governo não quer a Petrobras perdendo nada, mas quer que a Petrobras reassuma seu poder, sua posição hegemônica no setor petrolífero mundial, que sempre teve.
O senhor sabe dizer por que as empresas estrangeiras desistiram daquela licitação?
É difícil dizer porque vão achar que é teoria da conspiração. Na minha opinião houve um acerto. Vamos cair fora porque esses caras não vão dar conta do recado. Quiseram dar uma demonstração de força. O governo, que está com essa atitude de ser contundente nas rodadas, então vamos sair fora.
Se nós não tivéssemos ganhado os numerosos blocos em 2003, as nossas atividades exploratórias estariam caindo porque a gente estava concentrado na Bacia de Campos. A política do FHC era se concentrar na Bacia de Campos e abrir todas as outras bacias para as empresas estrangeiras. Não queremos correr mais risco. Exploração de petróleo é correr risco.
Eu dei uma entrevista logo depois que assumi. O repórter me perguntou como eu encontrei a Petrobras e eu respondi: “Não encontrei uma empresa petrolífera, mas uma instituição financeira de investimento financeiro no setor petrolífero, que é algo completamente diferente”. Banqueiro não quer correr risco.
Com o pré-sal, o Brasil ganha energia. Pré-sal tem energia para, junto a outras fontes de energia, a nossa matriz é muito bem equilibrada entre fósseis e renováveis, conseguir alavancar o Brasil no século 21, sem qualquer tipo de dependência de fornecimento externo de energia.
É uma condição de soberania absolutamente estratégica para qualquer país, ainda mais para um país como o nosso: rico em minérios, vamos ser os maiores produtores de alimento do planeta, temos os dois aquíferos mais importantes do planeta. É um país gigantesco com recursos ainda não totalmente explorados.
Está comprovado que o golpe foi preparado lá fora. E em dois anos e pouco vemos essa coisa absurda que está acontecendo no Brasil. Como diz o nosso cientista Miguel Nicolelis, o golpe veio para exterminar a soberania nacional.
Isso tudo dentro da Petrobras, não sabemos onde vai parar, querendo ser a empresa mais lucrativa possível, quando não é essa a missão de uma empresa estatal. A estatal tem que dar lucro, mas ela tem que servir à sociedade e não aos acionistas – porque o maior acionista da Petrobras é o povo brasileiro por meio do governo.
É nomeado o Pedro Parente, que cumpre à perfeição, aliás ele diz isso na carta: “Deixo o que prometi”. Confessou isso. Cumpre, com todo seu empenho, o esquartejamento do sistema Petrobras. A Petrobras tinha um sistema integrado, de gestão integrada, desde a produção até geração de termoelétrica, biocombustíveis, gás. Ele esquarteja esse sistema.
Eu tenho dito que o problema não é econômico, financeiro. Esses dias venderam Carcará, reclamaram que foi barato. Se fosse caro poderia vender? Não. O desinvestimento em ativos nossos atinge o cerne, a coluna mestre de sustentação do próprio sistema.
Venderam gasodutos, refinarias, campos de petróleo, os campos terrestres do Nordeste, por exemplo. Quando o petróleo estava a 30 dólares o barril, diziam que era antieconômico, queriam vender. Agora o petróleo está a 80 dólares o barril. Você desacelera em áreas que a Petrobras tem uma presença econômica, social fundamental como é no Nordeste do Brasil. As comunidades dependem da presença da Petrobras.
E, dentro de limites, mesmo que o petróleo produzido no Brasil naqueles campos do Nordeste, por exemplo, seja mais caro do que o petróleo importado, a Petrobras, como empresa do governo brasileiro e do povo brasileiro, é melhor você produzir no Brasil do que importar, porque movimenta a economia, cria emprego.
Se o óleo está a 40 e estamos produzindo num campo a 50, é melhor para o Brasil produzir do que comprar.
Uma das missões da Petrobras é descobrir óleo no Brasil. Não é missão da Shell descobrir óleo no Brasil, a Shell quer fazer negócios no Brasil. A Shell quer ganhar dinheiro no Brasil.
A Petrobras não, ela quer fazer negócios e ganhar dinheiro, mas uma das missões centrais da Petrobras é descobrir petróleo no Brasil, refinar petróleo no Brasil e distribuir petróleo no Brasil. Para atingir o povo brasileiro como um todo. Essa é a diferença.
A Shell era concessionária do bloco de Libra, tem lá uns 10 bilhões de barris. Parou o poço no meio do sal, em 2001. Teve problema de competência técnica e tecnológica, para perfurar 2 mil metros de sal não é fácil.
E a Petrobras tem uma competência técnica e tecnológica que não é de hoje. Ganhamos três prêmios da OTC, considerada o Nobel da engenharia da indústria petrolífera. E a Shell parou o poço. Passei lá nove anos, o pessoal esperava a Petrobras descobrir para depois vir atrás.
São uns corsários que representam seus países. A diferença entre corsário e pirata é essa: os piratas eram livres atiradores e os corsários representam seus países. Então a Petrobras investe, tem 60 anos de investimento, treinamento de pessoal, desenvolvimento tecnológico, correndo risco por causa da sua missão de descobrir petróleo no Brasil. A Petrobras descobre o pré-sal. Estava aí para eles descobrirem, mas não quiseram investir no Brasil, querem saquear as nossas riquezas.
A hora que nós começamos a vender campos do pré-sal estamos funcionando como uma instituição de fomento para essas empresas que não quiseram correr o risco. Imagina todo o investimento da companhia em décadas para formar uma equipe competente, séria e dedicada para a gente dar suporte técnico, científico nos nossos grandes investimentos em exploração e produção como fizemos naqueles anos Lula e Dilma.
Os caras querem entrar nesse jogo já com cartas marcadas. A primeira medida foi acabar com a operação única, que é o que dá à empresa o direito de escolher a engenharia, a tecnologia, os centros de pesquisa que vai investir. O operador tem essa vantagem, é por isso que foram contra a operação.
Eu mesmo como diretor recebi inúmeros representantes estrangeiros discutindo a operação. Todo mundo quer ser operador porque é assim que você aprende, desenvolve tecnologia. E o pré-sal, como está a 2.400 metros da lâmina d’água e a 7 mil metros juntando a rocha que será perfurada, você opera no limite do conhecimento na tecnologia.
Isso tem um valor enorme porque você adquirindo experiência nisso você adquire uma competência inclusive competitiva gigantesca. Você está ali naquele limite do último grito de engenharia, tecnologia, exploração. Isso vale um dinheiro, estrategicamente para uma empresa é fundamental. Então não querem que sejamos operadores.
Uma vez eu recebi o cônsul-geral norte americano, no Rio de Janeiro. Uma pessoa muito bem educada, um diplomata e dizendo: “a gente está aqui porque vocês querem ser operadores.”
Eu disse: “senhor cônsul (e era uma notícia que já tinha vazado há alguns meses atrás), a Exxon conseguiu ser operadora única do governo de Angola, do pré-sal angolano”. Ele ficou meio desconcertado, não sei nem depois se essa notícia se confirmou, mas ele ficou meio desconcertado.
É isso, o operador é quem decide a coisa. Ele que desenvolve tecnologia e tudo mais. Então, isso de nós sermos operadores únicos é uma coisa que foi a primeira coisa que caiu. Voltando a resposta à tua pergunta, nós estamos em uma luta ideológica.
É uma luta de uma visão de sociedade, país e mundo que nós, a maioria do povo brasileiro, e é verdade, ela vê de uma maneira distributivista, não excludente, integradora, a gente partir para uma sociedade pacífica, socialmente justa e equilibrada. Com o mínimo de violência.E uma visão absolutamente, que as pessoas chamam de fascista, quer dizer violenta, discriminação de exclusão.
Chegamos ao cúmulo, companheiro, de interrompermos um período de quinze anos de queda na mortalidade infantil. Cresceu a mortalidade infantil.
Quer dizer, esse governo é infanticida. Está matando as nossas crianças. Isso é inaceitável.
O mundo todo está revoltado porque prenderam um homem sem provas. A Justiça brasileira de uma forma assim que nós estamos passando uma vergonha internacional.
A nossa Justiça, o poder em que o cidadão brasileiro tinha que confiar. Nós estamos passando, estamos sendo considerados uma sociedade desorganizada. Nós estamos discutindo, a sociedade brasileira tem discutir qual é o país que nós queremos e para isso não tem outro jeito.
Para isso são eleições diretas livres. E deixar o povo escolher. Não é mandar um homem preso, sem provas, um vexame internacional. Em um processo jurídico absolutamente contaminado. Um poder judiciário que é ideológico na sua escolha de quem punir ou não punir, tenha provas ou não tenha provas.
Agora, tem que ter eleições diretas, com Lula candidato. Porque isso é um crime jurídico. Está submetendo o Brasil a um vexame internacional. Uma prisão de um homem inocente, sem provas. Isso é inaceitável, um absurdo inaceitável para todos nós brasileiros.
Mais Nocaute:

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  1. Mário José do Nascimento says:

    Ouvi todo o discurso do Sr. Estrella, no afã de obter maiores esclarecimentos sobre a política energética do Brasil, e a condução dada pelos nossos Governos anteriores, mas qual não foi minha surpresa, trata-se de um maldito petralha fazendo política baixa contra a justiça que se fez, corretamente, prendendo este delinquente extorquista da pátria. Lamentável este jornaleco.

  2. Enquanto existir Coxinhas contaminados pela PATOLOGIA dos PATOS AMARELOS,
    teremos que ouvir esses tipos de comentários idiotizados dos fãs do bicho Tucano de bico torto!!!
    A miopia desses animais não é de dá pena, mais e sim, de tirar Pena!!!

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