“Política de preços da Petrobras é suicida”, diz Sérgio Gabrielli.

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O Nocaute compartilhou a exibição, pela A TVE Bahia, de entrevista exclusiva com o ex-presidente da Petrobras, o baiano José Sérgio Gabrielli. Ao jornalista Bob Fernandes ele disse que a solução encontrada para responder a manifestação dos caminhoneiros não resolve. “Essa solução que o governo encontrou de manter a política de ajustes da Petrobras, compensar a companhia com variações, com redução de impostos e ao mesmo tempo garantindo que os preços ficarão relativamente estáveis por 60 dias é uma bomba de efeito retardado, porque se os preços subirem, os R$ 13 bilhões alocados vão subir muito mais, o que torna inviável e insustentável em termos das contas do governo. É uma política suicida do ponto de vista do futuro”, afirma.

O contexto político-econômico brasileiro, a crise na Petrobras e o futuro do país, são alguns dos temas debatidos na entrevista.

Durante cerca de uma hora, Gabrielli falou, entre outros assuntos, da origem do problema que levou às recentes manifestações dos caminhoneiros e que pararam o país por quase duas semanas. Para ele, a economia estagnada há 3 anos e a política de ajuste diários nos preços do diesel, elemento fundamental no custo do transporte, foram os principais motivos que levaram a manifestação. “A economia brasileira declinou há 2 anos atrás e o último ano é basicamente a manutenção da atividade econômica”, opina. Durante o seu mandato na direção da Petrobras, a empresa anunciou a descoberta do pré-sal, chegando em 2010 a ser a segunda maior petroleira do mundo em valor de mercado.

Ao analisar a desestabilização política do Brasil nos últimos tempos, o economista, afirma ser consequência dos conflitos derivados da descoberta de uma das maiores reservas de petróleo no mundo. Para ele retirar a Petrobras do centro do pré-sal foi uma decisão equivocada do governo. “O governo brasileiro acelerou os leilões para vender áreas novas do pré-sal e entrou em uma campanha violenta de potencializar denúncias de comportamentos inadequados de minoritários profissionais da Petrobras e dos setores privados. Isso desmontou a engenharia brasileira, o que inviabiliza no médio prazo a recuperação de um modelo que permita crescer emprego e renda no Brasil”, explica.

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