A mídia brinca de esconde-esconde. E o povo, de cabra-cega entre os fatos.

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O advogado Rodrigo Tacla Durán, apontado pela Lava-Jato como um dos operadores do esquema de corrupção da Odebrecht, depõe pela segunda vez ao Congresso, por videoconferência.

E novamente inverte o jogo, acusando operadores da Lava-Jato de vender facilidades aos seus investigados.

Também por videoconferência, Lula depõe ao juiz federal de Brasília, Marcelo Bretas, em sua primeira aparição pública desde a prisão, há dois meses.

E dá um tom absolutamente político à sua fala.

Surgem emails de Fernando Henrique a Marcelo Odebrecht em 2010, em que o ex-presidente pede o dinheiro para a campanha ao Senado de dois candidatos do PSDB.

O “assunto de sempre”, diz ele. Um “SOS” ao maior provedor de fundos eleitorais da República.

Esses três fatos políticos, pautas jornalísticas obrigatórias sob qualquer critério, foram diminuídos, escondidos na edição ou simplesmente omitidos da opinião pública, pela imprensa de mercado.

Na TV e no rádio, ainda os mais poderosos formadores de opinião, eles praticamente inexistiram.

Só tiveram a devida repercussão e análise na mídia independente, cujo alcance dificilmente ultrapassa a bolha ideológica da esquerda – grande, expressiva, mas minoritária no Brasil atual.

A ideia de uma imprensa plural, em regime democrático, é a difusão e o comentário dos fatos pelas diversas correntes de opinião. Seja no âmbito de cada veículo noticioso, seja no embate entre eles, das visões que cada um queira expressar.

Mas espera-se que os fatos sejam os mesmos e não que existam duas realidades paralelas, o mundo da direita e o mundo da esquerda, tão distintos e distantes como podem ser o planeta redondo e a Terra plana.

Espera-se um duelo de narrativas, não a briga com os fatos.

De todos os mecanismos de manipulação da mídia, a ocultação de notícias é o mais cínico e abjeto. O mais vergonhoso do exercício profissional.

Simplesmente porque nega às pessoas a informação de que algo aconteceu. Impede que elas façam algum juízo dos fatos, qualquer juízo, por ignorarem a sua existência.

A mídia independente pode ter muitos defeitos, mas não tem tanto esse. Não costuma esconder notícia. Não no grau extremo da sua concorrente.

Luta para controlar a narrativa dos fatos, mas não briga contra a sua existência.

Luta dentro do ringue, ainda que precise melhorar o condicionamento, para enfrentar o combate em alto nível de qualidade informativa e precisão analítica.

A pacificação do Brasil e a retomada da vida democrática normal só será possível se todas as correntes de opinião puderem enxergar o mesmo país, o país real, os fatos existentes, para debater sobre eles.

E o papel de prover isso é de todas as mídias, em todos os formatos, de todas as procedências.

Imprensa existe para dar notícias. Para todo o resto existe a propaganda.

Mais Nocaute:

FHC pediu dinheiro a Marcelo Odebrecht: “O de sempre”, diz o email.

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