O exemplo vem da Bahia: NEOJIBA, uma Orquestra com a cara e as cores do Brasil

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Uma palavra que vem enchendo a boca de todo mundo que gosta de música clássica no Brasil é NEOJIBA (Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia).

Sim, todo ano a Bahia dita o que o Brasil vai dançar no Carnaval. E a Bahia vem ditando aquilo que o Brasil deveria copiar na música clássica. É o programa mais interessante de que eu tenho notícia no Brasil.

NEOJIBA já existe desde de 2007, uma iniciativa do governo do Estado baiano, dando vez e voz a esse artista extraordinário chamado Ricardo Castro.

Ricardo Castro, para quem acompanha música clássica, ele é um senhor pianista, muito premiado. Estava lá na Europa curtindo sua vida de virtuose internacional, quando resolveu voltar para sua Bahia local.

E aí, voltando para a Bahia, ele mostrou que era um verdadeiro cosmopolita. Um cara que é realmente cosmopolita sabe qual é o tipo de modelo que ele pode olhar para a sua realidade.

Então, para implantar um modelo de educação musical na Bahia, ele olhou não para a realidade europeia tão distante, mas para os nossos vizinhos da América Latina, especificamente para a Venezuela.

É, música clássica da Venezuela, o programa El Sistema criado em 1975 pelo Rosset Antonio Abreu que faleceu recentemente e foi tão sentido.

Esse programa venezuelano está baseado na inserção social pela música por meio de prática coletiva e de multiplicação.

Lá no NEOJIBA como é no El Sistema, todo mundo que aprende um instrumento, logo em seguida vai ensiná-lo, vai multiplicar o seu saber.

NEOJIBA na Bahia, hoje, atende a 4.600 crianças e adolescentes. Não é pouca gente, mas não são quaisquer crianças e adolescentes. Desses 85% se autodeclaram negros e pardos, 74% são de famílias com até dois salários mínimos.

Aí quando a gente ouve Orquestra Juvenil da Bahia, que é Orquestra de mostra da excelência do NEOJIBA, a gente fica muito feliz e orgulhoso porque é uma Orquestra que tem a cara e as cores do Brasil e pelo próprio fazer musical dessa Orquestra sob a direção do Ricardo Castro. Ele já tem CD, já tem DVD, já tem um monte de vídeo no YouTube, os quais eu recomendo você navegar para ver algo de diferente sendo proposto na música clássica brasileira.

Quando você, como eu, estiver muito pessimista com o Brasil (o que é fácil), muito pessimista com a música clássica aqui (o que é mais fácil ainda), vá dar uma olhada no que o NEOJIBA está fazendo.

O exemplo vem da Bahia.

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