Brasil

A Revolução será feminista


Não é raro eu pegar um livro sobre a Revolução Russa e o único nome de mulher que eu
encontro lá é Aurora, que foi justamente o cruzador que participou do ataque ao Palácio de
Inverno. Obviamente, isso tem muito menos a ver com os eventos de 1917 do que a maneira na qual foram contados depois.
E para ajudar a acabar com essa omissão, a Graziela Schneider está lançando o livro A Revolução das Mulheres, este livro está tendo um lançamento permanente, agora mesmo ela acabou de dar um pulo no acampamento Lula Livre em Curitiba, para falar dessa obra.
Essa obra que dialoga muito bem com esse outro clássico um pouco anterior, Mulher
Estado e Revolução, da Wendy Goldman, para quem leu (as minhas amigas feministas
devoram este livro) sabe que é um livro sobre como a Revolução Russa lidou com as
reivindicações das mulheres. Com várias questões, como elas foram inicialmente atendidas
e depois revertidas.
Um caso que eu gosto muito de citar é a questão do aborto, em 1920 a Rússia Soviética foi o primeiro país a legalizar o aborto. Claro que Stalin não podia conviver com isso e em 1936 Stalin colocou o aborto na ilegalidade. Então, o aborto na União Soviética só voltou a ser legal em 1955, dois anos após a morte de Stalin.
Então, se o livro da Wendy Goldman é um livro que fala da história da União Soviética, o
livro da Graziela Schneider (a Graziela como organizadora) é uma coletânea de textos de
ativistas e pensadoras russas sobre a questão feminina.
A Graziela pegou uma gama bastante ampla de pensadoras. Desde a ala da direita, das pensadoras cadete, ou seja, do partido constitucional democrata, hoje seriam as liberais, desde as feministas liberais até as várias correntes do feminismo revolucionário.
Claro que está presente a Alexandra Kollontai, que talvez seja a mais conhecida aqui no Brasil, mas outras também estão presentes e que só vemos mencionadas na chave da sua conexão amorosa com Lênin, como por exemplo Nadezhda Krúpskaya, que só aparece com a mulher de Lênin. Ou ainda a Inês Armand, que só aparece como a amante de Lênin. Aqui elas ganham vez e voz.
Graziela Schneider é uma das principais tradutoras de russo no Brasil, então todos os
textos aqui foram traduzidos diretamente do russo. Mas é claro que é tanta coisa que a
Graziela não poderia fazer sozinha, ela montou uma equipe, e que eu acho bem bacana o
que ela fez. Para dar vez e voz às pensadoras russas de um século atrás, ela resolveu dar
vez e voz também às mulheres brasileiras do século XXI, ou seja, só chamou mulheres para trabalhar no livro.
Porque a Graziela sabe, como todos nós sabemos, que fazer uma postagem numa rede social é bacana, mas são só com ações concretas que nós mostramos a veracidade das nossas convicções.
Assista também:

Augusto de Campos, a versatilidade de um dos maiores poetas do Brasil

Inveja, de Iuri Oliécha. Mas o que é isso? Quem foi Oliécha?


 

Notícias relacionadas

A sua opinião é importante, comente!