Como os EUA vão justificar as bases militares na Coreia do Sul?

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Transcrição:

No dia 27 o mundo ficou perplexo com a notícia do encontro dos dois presidentes Kim Jong-um, da Coréia do Norte, e o Moon, da Coréia do Sul. Parece que finalmente vai ser possível um acordo visando o estabelecimento de paz na Península Coreana, incluindo desnuclearização da Península Coreana.

A grande mídia, para variar um pouco, atribui a existência desse processo de paz à ofensiva do presidente Donald Trump, segundo uma narrativa muito louca, segundo a qual o Kim Jong-um, um comunista, ditador, maluco que ameaçava atacar os E.U.A com armas nucleares, agora foi obrigado a recuar porque encontrou um “macho” na Casa Branca, que é o Donald Trump, que teria, por meio de suas ameaças, imposto um recuo a Coréia do Norte. Só que a coisa não é bem assim.

Se você for analisar a coisa regionalmente, nós vamos ver em primeiro lugar que a China, no mesmo dia, realizou uma cúpula histórica, que foi muito mal divulgada pela mídia, valeu algumas notinhas de rodapé nos principais jornais, que foi o encontro com a Índia, que tem a segunda população mundial, é uma potência regional que tem conflitos permanentes e constantes de fronteira com a China, e esse encontro entre os dois tem um significado histórico para região, porque cria um quadro em que é possível aparentemente estabilizar as relações entre China e Índia depois de décadas de tensões e conflitos.

Além do mais, a China vem mantendo uma aproximação constante e cada vez mais integrada do ponto de vista militar com a Rússia. Assim, esse acordo das Coreias vai criar uma situação nova na qual os EUA vão ter muita dificuldade de explicar a manutenção de suas bases na Coreia do Sul, porque toda a retórica era: “mantemos nossas bases por causa das ameaças da Coreia do Norte”.

Se acabaram as ameaças da Coreia do Norte, por que os EUA vão manter as bases na Coreia do Sul? Portanto, ao contrário de ser uma vitória de Trump, o que parece é uma vitória estratégica da China.

Além do mais, nada garante que esse acordo vá sair porque historicamente, ao contrário do que a mídia diz, quem sempre teve as iniciativas de paz foi a Coreia do Norte e não os EUA.

Nos anos 90, a Coreia do Norte teve duas importantes iniciativas que foram sabotadas pelos EUA. Para os EUA, não interessa a paz naquela região porque precisa da Coreia do Sul para manter suas bases ali, inclusive porque estão na fronteira com a China.

Muita coisa ainda pode acontecer. Não está descartada a hipótese do Trump vir com novos ultimatos e ameaças para impedir esse acordo, mas a realidade é que por enquanto o que estamos vendo é uma ofensiva diplomática estratégica da China.

O elemento patético disso é que importantes jornais da mídia, especialistas e articulistas estão propondo um Nobel da paz para Donald Trump. Isso já atinge as raias do ridículo e nem vale a pena comentar.

 

 

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