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Querem pegar o Facebook, mas ele já pegou todo mundo faz tempo


O seu acordo de usuário é uma droga, Seu Zuckerberg!
O senhor se sentiria à vontade de nos dizer em que hotel se hospedou na noite passada? Se mandar mensagens a alguém nesta semana, compartilharia conosco os nomes dessas pessoas?
É disso que se trata, Seu Zuckerberg. Direito à privacidade. E do que você ofereceu aos Estados Unidos, em nome de “conectar pessoas em todo o mundo”.
Pare de se desculpar e faça logo as mudanças que prometeu fazer no Facebook!
Estas são palavras de senadores norte-americanos, durante o depoimento de seu concidadão Mark Elliot Zuckerberg, dono da maior plataforma de mídia do mundo.
Ele foi convocado a depor em audiência conjunta dos comitês de Justiça e de Comércio, Ciência e Transportes do Senado, para as investigações do escândalo da consultoria política Cambridge Analytica.
Essa empresa teve acesso a milhões de contas do Facebook e usou os dados para manipular as eleições de 2016 em favor de Donald Trump. Zuckerberg foi chamado a se explicar.
O fato de que 85% dos senadores americanos recebem contribuições financeiras do Facebook, aparentemente, não inibiu o questionamento de seu mecenas, o nerd mais esperto do planeta, com um patrimônio acumulado de 66 bilhões de dólares aos 33 anos de idade.
Os senadores apertaram Zuckerberg, que cometeu pelo menos um ato falho, o de reconhecer que o Facebook é responsável pelos conteúdos que distribui – e, com isso, pode ser enquadrado como empresa de mídia e não de tecnologia, sujeita à legislação sobre informação, o que ele sempre repeliu.
Mas Zuckerberg também soube manter uma santa cara de pau, ao negar que o Facebook seja um monopólio – o que o sujeitaria à eventual divisão da empresa e venda de pedaços dela, por imposição legal. “Com certeza, não parece ser assim para mim”, ele disse, nesse primor de frase evasiva.
Que o Facebook se lasque inteiro, seja punido pela justiça e fatiado em pedaços, não comoverá ninguém que se irrita com a sem-cerimônia com que a empresa usa os dados pessoais dos usuários para ganhar rios de dinheiro e ajudar a espionagem do governo americano.
Mas seria útil a esquerda brasileira se ligar no que acontece nesse teatro de Washington, para não fazer um papel tão convicta de otária na peça.
Vige na esquerda a concepção idílica de que a internet é um território livre, no qual ela pode se manifestar à vontade e articular as suas ações políticas com segurança.
Mas pouco se atenta para o fato de que, se a internet é vasta e aparentemente incontrolável, para fins do debate público ela se resume às redes sociais, principalmente o Facebook.
Enquanto a internet, em seu todo, é pura dispersão, o Facebook concentra bilhões de usuários no mundo e se constitui numa ágora, a esfera pública efetiva desta era tecnológica. Só aqui no Brasil são quase 120 milhões de fregueses.
Posts publicados em blogs ou sites repercutem menos por si mesmos, pela audiência direta nessas plataformas, do que no compartilhamento pelo Facebook.
O que afetar o Facebook, portanto, afetará a circulação de informações gerada por todo mundo – a esquerda brasileira incluída, inteirinha. Afetará para o bem ou para o mal.
Um piadista observou que Zuckerberg criou o Facebook para pegar mulher na faculdade e acabou colocando um governo fascista no país mais poderoso da Terra. Só faltou observar que ele também pôs os progressistas de todo o mundo sob controle.
É mais do que hora de pensar alternativas de comunicação digital, que não exponham tanto a luta política à vigilância e à repressão.
Está fácil demais para o controle social dos governos. Seja o da matriz, seja este aqui da colônia. É hora de parar de ajudá-los.
 
https://www.nocaute.blog.br/2018/04/13/fernando-morais-prisao-lula/

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