A intolerância e o fascismo que têm de ser vencidos no Brasil

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Tem tanta coisa acontecendo no mundo que, até pela minha formação, eu sou tentado a comentar. Por exemplo, as relações entre países do ocidente e a Rússia, quase que uma nova Guerra Fria. A reaproximação da China com a Coréia do Norte.

Fatos que têm influência no mundo e também aqui na nossa América do Sul, desintegrada, contrariando tudo o que a gente tentou fazer nos anos de governo do presidente Lula e da presidenta Dilma.

Mas não dá pra deixar de falar da situação do Brasil e da escalada do fascismo.

Há dois dias atrás eu participei de uma coletiva com a imprensa estrangeira, junto com a presidenta Dilma e o senador Lindbergh, em que estávamos denunciando os ataques feitos a caravana do presidente Lula.

Uma atitude nitidamente proto-fascista.

Quando nós pensamos em como agiam os camisas negras na Itália, como agiram os SS e seus predecessores na Alemanha, utilizando uma violência muito grande. De lá pra cá as coisas se agravaram muito e ontem ocorreu um atentado a bala. Com relação a caravana, existe um depoimento muito bem feito pela jornalista Leonora Lucena.

Tudo isso são fatos extremamente preocupantes e se juntam a outras manifestações da violência e da intolerância, sobretudo aqui no Rio de Janeiro onde nós tivemos muitas mortes no fim de semana. Oito mortes na rocinha, cinco jovens executados e as informações que temos indicam que as mortes ocorreram pela mesma arma. De modo que não existe a menor dúvida de que foi uma execução.

Tudo isso se soma a execução bárbara da Marielle e do Anderson.

O que nós vemos no Brasil com extrema preocupação, depois de anos e anos em que nós vivemos um clima de democracia, pessoas que tinham opiniões diferentes podiam expressa-las livremente, nós vemos um recrudescimento da intolerância, algo que não se via desde a época da ditadura.

Eu diria que os últimos anos de governo militar não assistiram, com exceção do episódio do Rio Centro – que foi alguns anos antes – coisas tão violentas como nós estamos vendo hoje e que estão sintetizadas a estes ataques a caravana do presidente Lula. Uma caravana pacífica onde ele põe as suas ideias. Que são ideias, inclusive, para reconciliar o povo brasileiro e isso é extremamente preocupante.

Então, é preciso esse alerta que a presidente Dilma e eu fizemos à mídia internacional porque o Brasil é um país muito importante, um país muito grande, é o quinto maior país do mundo em território, quinto em população, já foi a sexta economia. De qualquer maneira está entre as dez maiores do mundo, uma das maiores, obviamente, dos países em desenvolvimento.

O que acontece aqui vai ter uma influência na nossa região e também em outros países em desenvolvimento, e eu diria, até mesmo além disso. Então, nós ficamos muito preocupados e vendo esse mundo em transformação no qual antes o Brasil era um ator e agora o Brasil nem sequer tem nada a dizer sobre o que está acontecendo. Nem saber se vai tirar partido ou não com a maior multipolaridade.

Enfim, nós estamos, realmente, vivendo um momento muito triste, mas de todos os aspectos desse momento, o pior sem dúvida é a tendência à intolerância e ao fascismo que tem que ser vencida.

E no caso do Rio de Janeiro se instalou um certo modelo de governança baseado na intervenção militar, nós estamos vendo também que esse modelo fracassou.

Por que? Porque as pessoas que mais necessitam de proteção, as pessoas vulneráveis das favelas, das comunidades pobres, os negros, os jovens, as mulheres não estão sendo protegidos. Então, é preciso saber para quê a intervenção.

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