José Socrates – Nocaute https://controle.nocaute.blog.br Blog do escritor e jornalista Fernando Morais Sat, 27 Apr 2019 23:54:04 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=5.1.1 https://nocaute.blog.br/wp-content/uploads/2018/06/nocaute-icone.png José Socrates – Nocaute https://controle.nocaute.blog.br 32 32 Insulto de Moro a ex-premier revolta Portugal. https://nocaute.blog.br/2019/04/24/insulto-de-moro-a-ex-premier-revolta-portugal/ Wed, 24 Apr 2019 22:46:35 +0000 https://nocaute.blog.br/?p=47669 Em entrevista à televisão portuguesa, Moro chamou de “criminoso” o ex-primeiro ministro de Portugal, José Sócrates, que sequer foi julgado e muito menos condenado. No jornal O Publico Moro foi considerado "persona non grata" em Portugal.

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Em entrevista à televisão portuguesa, Moro chamou de  “criminoso” o ex-primeiro ministro de Portugal, José Sócrates, que sequer foi julgado e muito menos condenado. No jornal O Publico Moro foi considerado “persona non grata” em Portugal.

O texto é de autoria do jornalista Manuel Carvalho e foi publicado no O Público, um dos principais jornais de Portugal.

Portugal é um estado de direito, doutor Moro…

Chamar “criminoso” a um cidadão que não foi julgado nem condenado é um abuso que revela a verdadeira natureza de Sérgio Moro.

É, no mínimo, um desplante. E no máximo um desplante no limiar do agravo diplomático que um ministro da Justiça estrangeiro venha até nós chamar “criminoso” a um ex-primeiro ministro que nem sequer foi condenado em primeira instância.

Que José Sócrates seja um espinho cravado na ética republicana, que acumule um pecúlio de suspeitas capazes de legitimar o estatuto de político que todos amam odiar, que se tenha transformado no ícone maior dos vícios do regime, é uma coisa; que seja apelidado de “criminoso” na praça pública sem que a sua sentença tenha transitado em julgado (sem que se saiba até se vai haver julgamento), é outra coisa completamente diferente. Caso o juiz Sérgio Moro tenha esquecido, num Estado de direito existe a presunção de inocência. A menos que…

A menos que Sérgio Moro tenha definitivamente despido a toga de juiz para se vestir com a pele de justiceiro, uma suspeita que a forma como geriu alguns processos da Operação Lava Jato legitima junto de muitos observadores.

Porque, é óbvio, um juiz tem o dever de ser minucioso na atribuição de estatutos a terceiros. Tem de conservar a prudência e o recato sobre processos em investigação, principalmente quando está num país estrangeiro. Tem de ser capaz de manter a elevação do seu cargo e da sua responsabilidade e saber resistir às acusações como as que José Sócrates, na sua delirante visão do mundo, lhe dirigiu. Tem, finalmente, de respeitar a independência da Justiça nos países que visita, abdicando de condenar sumariamente pessoas que nem sequer começaram a ser julgadas.

Sérgio Moro tem toda a legitimidade em defender as suas ideias sobre as virtudes do sistema penal brasileiro sobre o português, incluindo os méritos da delação premiada ou essa acumulação de funções que concedem ao juiz de instrução a responsabilidade de ser também o juiz que preside aos julgamentos dos suspeitos. Pela dignidade do seu cargo e pelo prestígio que acumulou antes de acelerar o julgamento de Lula para impedir a sua recandidatura, antes de produzir uma condenação que muitos observadores internacionais consideram ser forçada face à fragilidade das provas, antes de aceitar ser ministro do mais polémico presidente do Brasil das últimas décadas, Moro seria sempre bem-vindo a Portugal para fazer a apologia das suas ideias de justiça. O que disse sobre Sócrates foi muito para lá do tolerável e tornou-o uma persona non grata.

Estranha-se por isso a ruidosa teia de silêncio que se abateu sobre as suas lamentáveis acusações a José Sócrates. Não haver um juiz que lhe lembre o óbvio, um jurista que lhe aponte o atentado ou um governante que lhe denuncie o abuso é um triste sinal. Ninguém se quer colar a José Sócrates porque Sócrates é um activo tóxico, bem se sabe.

Mas o que está em causa é muito mais do que a ofensa a um ex-primeiro ministro sob suspeita. É um princípio básico do Estado de direito que foi atacado. É a credibilidade do sistema judicial português que é atingida – há um “criminoso” à solta, protegido pela impunidade? Logo, é um abuso de um ministro de um Governo presidido por um político cujas virtudes democráticas e valores humanistas se desconhecem por não existirem.

Chamar “criminoso” a um cidadão que não foi julgado nem condenado é um abuso que revela a verdadeira natureza de Sérgio Moro. Um juiz-político (ou um político-juiz) que nem num país que o recebe mostra perceber o que é o respeito diplomático. E, já agora, o que é um Estado de direito pleno.

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Ex-premier de Portugal revela conversa telefônica entre Gilmar e Lula https://nocaute.blog.br/2019/04/24/ex-premier-de-portugal-revela-conversa-telefonica-entre-gilmar-e-lula/ Wed, 24 Apr 2019 19:06:52 +0000 https://nocaute.blog.br/?p=47643 Em vídeo ao site Migalhas, José Sócrates, ex-primeiro ministro de Portugal, fala sobre o telefonema de Gilmar Mendes a Lula na ocasião da morte de seu neto Arthur. “Quando Gilmar lhe deu os pêsames, Lula começou a chorar compulsivamente. E Gilmar Mendes começou também a chorar. Aquele choro de ambos era um choro pelo mundo que perdemos. Para mim esse telefonema significa que o que falta no Brasil é justamente isso: um respeito entre adversários. A democracia vive disto, do respeito, da legitimidade que todos os atores políticos conferem ao seu próprio adversário.”

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Em vídeo ao site Migalhas, José Sócrates, ex-primeiro ministro de Portugal fala sobre o telefonema de Gilmar Mendes a Lula na ocasião da morte de seu neto Arthur. “Quando Gilmar lhe deu os pêsames, Lula começou a chorar compulsivamente. E Gilmar Mendes começou também a chorar. Aquele choro de ambos era um choro pelo mundo que perdemos. Claro que para alguém da esquerda brasileira que não gosta de Gilmar Mendes, isso poderá significar outra coisa. Para mim significa que o que falta no Brasil é justamente isso: um respeito entre adversários. A democracia vive disto, do respeito, da legitimidade que todos os atores políticos conferem ao seu próprio adversário.”

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