Brasil – Nocaute https://controle.nocaute.blog.br Blog do escritor e jornalista Fernando Morais Tue, 12 May 2020 15:40:28 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=5.4.1 https://nocaute.blog.br/wp-content/uploads/2018/06/nocaute-icone.png Brasil – Nocaute https://controle.nocaute.blog.br 32 32 Gervásio parafraseando Caetano https://nocaute.blog.br/2020/05/12/gervasio-parafraseando-caetano/ Tue, 12 May 2020 15:39:57 +0000 https://nocaute.blog.br/?p=65456 O post Gervásio parafraseando Caetano apareceu primeiro em Nocaute.

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Os desafios da esquerda no pós-pandemia https://nocaute.blog.br/2020/05/04/os-desafios-da-esquerda-no-pos-pandemia/ Mon, 04 May 2020 21:44:36 +0000 https://nocaute.blog.br/?p=65039 Os desafios para a esquerda socialista são derrubar a velha ordem, reler o Brasil e o mundo de hoje para formular uma teoria revolucionária que atenda às demandas econômicas, sociais e culturais atuais.

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Os desafios para a esquerda socialista são derrubar a velha ordem, reler o Brasil e o mundo de hoje para formular uma teoria revolucionária que atenda às demandas econômicas, sociais e culturais atuais. Paralelamente, temos que levar a luta diária, em todas as frentes, contra o bolsonarismo e as classes sociais e políticas que o apoiam e temos que disputar com a oposição liberal os rumos do país.

Em seu pronunciamento no 1º de Maio, Lula, mencionando o que vem sendo dito pelos principais jornais econômicos – que o  capitalismo está moribundo -, afirmou que “está mãos dos trabalhadores a tarefa de construir esse novo mundo que vem aí”.

Num primeiro momento, notei, em seu discurso, omissões importantes: não mencionou a crise política institucional, o Fora Bolsonaro, o impeachment, a luta política. Logo depois me dei conta de que Lula estava nos convocando a pensar o pós-pandemia e a enfrentar uma tarefa postergada por nós, petistas e socialistas: qual a alternativa ao capitalismo como ele realmente é hoje, no mundo e no Brasil?

A primeira lembrança que me veio foi da lição que aprendi nos bancos escolares na juventude, lutando contra a ditadura: sem uma teoria revolucionária não há revolução e o dever de todo revolucionário é fazer a revolução. Sempre me guiei pela realidade, pelos fatos. Minha geração cresceu sob o signo da revolução cubana e da imagem do Che e Fidel, da agressão criminosa e genocida do império norte-americano contra o povo vietnamita, das revoltas estudantis e operárias na Europa e no Brasil, da luta pelos direitos civis dos negros estadunidenses em plena segunda metade do século XX. 

Se 1968 foi o ano da rebeldia e da luta contra o autoritarismo, o racismo, o militarismo, também foi o da invasão da Tchecoslováquia, do começo da crise do então chamado campo socialista e do próprio socialismo – ainda em sua infância, se comparado com o capitalismo. 

Globalização e crise

Nos últimos cem anos vivemos crises, depressões, duas grandes guerras mundiais e dezenas de guerras pela independência e civis, grandes catástrofes e desastres naturais e o capitalismo sobreviveu e se fortaleceu. A globalização parecia um deus invisível e onipotente, devastou as conquistas sociais de décadas de lutas dos trabalhadores, o chamado estado de bem estar social, suas organizações e, o mais grave, suas ideias, ideais e cultura. 

Parecia o fim de uma época, a das revoluções sociais, mas o tempo provou o contrário. Nunca houve tanta instabilidade política e social, tantas guerras de agressão e ocupação, tanta pobreza e miséria. A desigualdade cresceu inclusive nos países centrais do capitalismo, destaque para os próprios Estados Unidos. Incapaz de resolver suas contradições, o capitalismo revelou suas entranhas e natureza com o crescimento do nacionalismo, do autoritarismo, do racismo, dezenas ou no máximo centenas de ricos passaram a controlar a riqueza mundial.

A pandemia da Covid-19 apenas veio expor as misérias e a ideologia do capitalismo, sua falta total de compromisso com suas próprias ideias, seja porque elas eram falsas ou porque sua natureza o leva à barbárie para sobreviver como nos ensina as experiências do colonialismo e do nazismo.

No Brasil também as  radicais mudanças no mundo do trabalho provocadas pelo avanço tecnológico e pela reorganização da produção serviram de pretexto para a agressão aos direitos sociais e às conquistas dos trabalhadores. Mais uma vez o custo da crise do capitalismo recaiu sobre a classe e a submeteu, como nunca, ao fantasma do desemprego,  impondo a falsa opção de trocar o emprego pela redução dos direitos, ou seja, da cidadania em benefício das empresas e, principalmente, dos bancos e do capital financeiro. 

Desmonte do Estado

O ataque ao Estado como indutor do crescimento e ao Estado de Bem Estar Social chegou junto com ideias totalitárias envoltas em uma retórica nacionalista e religiosa — destruir para construir foi a máxima do presidente eleito. 

Não vivemos mais sob o capitalismo dos anos 1980/1990. Mudou o modo de produção, mudaram as classes sociais, mudou o mercado de trabalho sob o impacto das inovações tecnológicas e da hegemonia do rentismo. Todo e qualquer projeto de desenvolvimento nacional foi banido e o país perdeu a autonomia sobre sua moeda, câmbio e capitais. 

O ciclo político e histórico que nos deu origem não existe mais, com o agravante de que mesmo as grandes empresas de capital nacional abandonaram todo e qualquer projeto de autonomia e independência, já que a maior parte das elites sempre foi entreguista. E as Forças Armadas, que desde a redemocratização vinham observando seu papel constitucional, viram o campo aberto para abraçar o autoritarismo político-militar agora casado com o fundamentalismo religioso e o alinhamento com os Estados Unidos.

As experiências históricas de socialismo no mundo e o que vivemos em nosso país — as reformas de base no governo Jango e os programas sociais nos governos do PT — devem ser reavaliados.  Devemos retomar o fio da nossa história. Não haverá soberania e autonomia sem controle da nossa moeda e câmbio, dos capitais. 

A experiência trágica do coronavírus provou como nosso país está desarmado e exposto à dependência externa em áreas estratégicas e mesmo de segurança nacional. Será necessário rever nossas inserção nas cadeias globais de valores e restaurar nossa soberania em áreas estratégicas como a de fármacos para dar um exemplo. 

Nossas tarefas

Devemos restaurar o papel do Estado como indutor e condutor do desenvolvimento nacional mais ainda na pós-pandemia. Os bancos públicos e as empresas estatais no setor de energia, petróleo e gás são decisivas para a retomada do crescimento. 

Nosso país tem grandes vantagens comparativas na agroindústria e na produção de energia, um dos maiores mercados internos do mundo e uma demanda de infraestrutura social e econômica. Mas o subconsumo, produto da concentração de renda e riqueza, impede o crescimento. Para reverter este quadro, será necessária uma mudança radical na política monetária e fiscal do país, com a redução dos juros a níveis internacionais hoje negativos (nossa  taxa média real de juros é de 32% para uma inflação e uma taxa Selic de menos de 4%).  Para grande parte da nossa dívida interna ainda pagamos juros de 10%, o que além de um escândalo é praticamente uma expropriação da renda nacional de famílias e empresas. 

Outra necessidade urgente na pós-pandemia é a reforma tributária, invertendo a pirâmide de impostos sobre bens e serviços para renda e propriedade. A distribuição de renda e o aumento da demanda interna, assim, se darão não apenas pelos investimentos públicos e privados em infraestrutura social e econômica, mas também no aumento da renda dos trabalhadores com a queda dos juros e a redução da carga tributária sobre eles. 

Com planejamento e restaurando o papel dos bancos públicos e de empresas estatais como a Petrobras, devemos retomar a industrialização, reformando o pacto federativo para que todo país seja beneficiado com um grande programa de obras públicas de saneamento, habitação, transportes coletivos, reconversão de energias e uma reforma urbana e agrária  com alcance não somente social mas ambiental. 

Sem uma revolução nas áreas da ciência, tecnologia e inovação não seremos capazes de usar a riqueza natural e o nosso capital acumulado e nem retomar o tempo perdido em nossa industrialização agora revelados pela nossa debilidade em produzir o essencial na área da saúde e de fármacos. O principal objetivo de toda política de desenvolvimento tem que ser o bem estar social e o emprego com a garantia dos direitos sociais. Daí a necessidade de reformar a legislação trabalhista e previdenciária, imposta nos últimos anos pelos governos de direita.

Os desafios para a esquerda socialista são derrubar a velha ordem, reler o Brasil e o mundo de hoje para formular uma teoria revolucionária que atenda às demandas econômicas, sociais e culturais atuais. Paralelamente, temos que levar a luta diária, em todas as frentes, contra o bolsonarismo e as classes sociais e políticas que o apoiam e temos que disputar com a oposição liberal os rumos do país. 

Para essa tarefa gigantesca, mas não impossível, é preciso começar a nos reavaliar, nos reconhecer, para mudar nossos partidos, nossa prática e, se necessário, nossas ideias. Sempre a partir da realidade em que vivemos com o objetivo de buscar uma revolução social, que democratize a propriedade, a riqueza e a renda, o poder político e cultural, que proteja a natureza e a vida, onde impere a solidariedade social e a liberdade,  a igualdade e a fraternidade, a paz com justiça. 

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Bolsonaro vai invadir a União Soviética?¹ https://nocaute.blog.br/2020/05/04/bolsonaro-vai-invadir-a-uniao-sovietica%c2%b9/ Mon, 04 May 2020 16:26:34 +0000 https://nocaute.blog.br/?p=65028 Vou me arriscar no campo pantanoso da política outra vez. Começo com a pergunta que está na cabeça de todos: Bolsonaro tem futuro? Questão crucial, pois quase equivale a perguntar: o Brasil tem futuro?

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Vou me arriscar no campo pantanoso da política outra vez. Começo com a pergunta que está na cabeça de todos: Bolsonaro tem futuro? Questão crucial, pois quase equivale a perguntar: o Brasil tem futuro? 

É inegável que a crise do coronavírus e, em especial, a incapacidade do governo de lidar com ela provocaram imenso desgaste. Bolsonaro está cada vez mais isolado. Há quem o considere um cadáver político ambulante, prestes a ser ejetado da Presidência. 

Wishful thinking? Provavelmente, sim. As notícias de sua morte são prematuras. Impressiona a resiliência do apoio ao governo nas pesquisas recentes de opinião (cerca de 30% de bom ou ótimo). Isso depois da demissão de dois ministros populares e bem avaliados: Mandeta e, sobretudo, Moro. 

Um quadrúpede de cinco patas

Mesmo assim, parece claro que a demissão de Moro foi um lance de alto risco, pois derrubou um dos pilares do esquema que levou Bolsonaro à Presidência: a aliança com o Lava Jatismo. A ameaça se vê reforçada pelo fato de Moro ter saído atirando, com pesadas denúncias ao presidente. As denúncias vão ser apuradas, como se sabe, e a apuração poderá enfraquecer Bolsonaro, Moro ou os dois. 

Bolsonaro mostra-se, frequentemente, o pior inimigo de si mesmo. Empenha-se não raro em cavar a própria sepultura, atingindo inclusive pontos nevrálgicos do seu esquema de sustentação política. Além do Lava Jatismo, os pilares desse esquema são o bolsonarismo (inclusive milícias), o mercado, as forças armadas e a relação supostamente especial com Trump. 

O governo começou como um quadrúpede de cinco patas, diria Nelson Rodrigues. Com a saída do marreco de Maringá, ficou reduzido às quatro patas regulamentares. Excetuado o bolsonarismo, que ainda apresenta certa solidez, as outras três parecem um pouco bambas. 

Trump tem mais o que fazer; dá repetidas indicações de que está se lixando para o seu lacaio brasileiro. Com a crise internacional, o “America First” vem sendo levado ao paroxismo, reduzindo a pó qualquer expectativa de apoio mais sólido do lado americano. 

Os militares, por sua vez, guardam um silêncio enigmático, mas devem estar preocupados com o desgaste que o envolvimento com este governo acarreta para as forças armadas. A saída constitucional, recorde-se, colocaria um general na presidência. Aqui Bolsonaro cometeu um erro que pode se revelar fatal: escolheu um vice-presidente que não assusta e tampouco se destaca pela lealdade. A julgar pela experiência, nada mais perigoso do que ter um vice tipo Temer, e não tipo José de Alencar. 

A relação com o mercado também não prima pela solidez. Bolsonaro não é um quadro orgânico da turma da bufunfa, como foi por exemplo Fernando Henrique Cardoso. O acerto com o mercado passou pela nomeação de Paulo Guedes e Roberto Campos Neto para os cargos-chave na área econômica. Mas o primeiro não tem mais o mesmo prestígio com o presidente. As recentes declarações de apoio a ele por parte do presidente são, como se diz no futebol, do tipo “o técnico está prestigiado”. 

Ainda que todas essas fragilidades e incertezas, fato é que Bolsonaro continua na presidência, com os instrumentos de que o presidente dispõe no regime presidencialista. E preserva quase todos os seus pilares iniciais de sustentação política, ainda que avariados. Não se deve perder de vista, em particular, a já mencionada confiança de cerca de 1/3 do eleitorado, número que permanece supreendentemente elevado. 

Lembranças da Segunda Guerra Mundial

Um paralelo com a Segunda Guerra me veio à mente. Comparações entre política e guerra ou entre política e futebol podem ser interessantes. Não passam evidentemente de analogias, não se prestam a explicações e muito menos previsões. Mas podem ajudar, pelo menos, a ilustrar alguns pontos. 

Em 1942, quando os ingleses conseguiram expulsar as tropas do Marechal Rommel e retomar o Egito, Churchill colocou água na fervura das comemorações: “Este não é o fim, nem sequer o começo do fim, mas talvez seja o fim do começo”, disse ele. E, de fato, a queda de Hitler só viria em 1945. 

Não poderíamos dizer o mesmo sobre Bolsonaro, ainda que o horizonte tenha que ser contado no seu caso em meses e não anos? Apesar do desgaste que vem sofrendo com a crise em março e abril, Bolsonaro não chegou a seu fim, nem sequer ao começo do fim, mas pode estar no fim do começo. Desnecessário frisar que daqui para frente muito dependerá da determinação com que seus adversários políticos, não só da esquerda e centro-esquerda, mas principalmente da direita tradicional, atacarão os seus pontos fracos ao longo dos próximos meses. 

As idiossincrasias do presidente e a sua inclinação para lances ousados funcionaram até agora – mas ao preço de aumentar o número de seus opositores e inimigos, até mesmo na extrema direita. Guardadas as proporções e as diferenças de contexto, Bolsonaro não lembra Hitler em alguns aspectos? O líder da Alemanha nazista teve, no começo, carreira de grande sucesso, baseada em apostas arriscadíssimas, mas também em astúcias e manobras diversionistas. Sem dar um tiro, ele reincorporou a Renânia desmilitarizada desde a Primeira Guerra, depois anexou a Áustria, depois anexou os Sudetos, em seguida ocupou Praga e o que restava da Tchecoslováquia. A cada passo, ele fazia recuos retóricos, assegurava suas intenções pacíficas e prometia parar ali. Quando invadiu a Polônia, em 1939, desencadeou a guerra com a França e o Reino Unido, mas continuou sua trajetória ascendente, derrotando a os franceses com surpreendente facilidade e ocupando vários outros países europeus. 

A trajetória do capitão brasileiro não mostra, em miniatura, alguma semelhança com a do cabo austríaco? Desde a campanha eleitoral em 2018, Bolsonaro lançou-se em sucessivas manobras temerárias que deram certo, como as de Hitler inicialmente, mas que o deixaram cada vez mais isolado, com poucos aliados e inimigos poderosos, como ocorreu também com o líder nazista.  

Até quando? A respeito de Hitler, Stalin fez a observação certeira: “É um gênio, mas não sabe quando parar”. Hitler deu o seu passo fatídico quando invadiu a União Soviética em 1941. Ao saber da notícia, Churchill fez o seguinte comentário (curioso pelo tempo do verbo): “So we won the war after all!” (Então, ganhamos a guerra, afinal!)

Bem. Bolsonaro não é nenhum gênio, longe disso, mas pode-se perguntar: quando fará a sua invasão da União Soviética? Quando solapará definitivamente, por excesso de auto confiança ou erros de cálculo, os pilares remanescentes da sua sustentação política? Lances ousados, que levem à perda de apoio dos militares ou do sistema financeiro, podem ser para ele o equivalente à invasão da União Soviética, especialmente se acompanhados de erosão do apoio na opinião pública. 

Paulo Guedes parecia estar pela bola sete, mas Bolsonaro mostrou noção de timing e recuou. Não podia tirar Guedes logo depois de defenestrar Moro. Talvez seja questão de tempo. Uma alternativa seria substituí-lo por outro nome da confiança do mercado. Campos Neto, que já está no governo e parece mais flexível, talvez seja uma alternativa.  

O radicalismo doutrinário do ministro da Economia é uma fonte de instabilidade. Outra, um possível conflito latente entre a ala militar e a equipe econômica. Difícil avaliar até que ponto os militares insistirão em planos de investimento em infraestrutura incompatíveis com a orientação da equipe econômica. Se o fizerem, poderão levar o chefe a mais uma manobra perigosa: a demissão do ministro da Economia, o que arriscaria abalar suas relações com a turma da bufunfa. 

Uma questão de timing

Cabe então uma dupla paráfrase de Churchill: estamos no fim do começo, mas ainda não podemos dizer que ganhamos a guerra. 

Não quero espalhar desalento, mas tudo é possível, inclusive a sobrevivência de Bolsonaro e até mesmo a sua reeleição em 2022. Que os seus adversários não cometam o mesmo erro que os de Lula cometeram na época do mensalão, em 2005 e 2006. Lula parecia liquidado e decidiu-se deixá-lo sangrar até o fim do primeiro mandato, na expectativa de que seria possível derrotá-lo nas eleições de 2006. Lula, como se sabe, deu a volta por cima e conquistou um segundo mandato.

Imagine, leitor, o seguinte cenário. Passada a pandemia, a economia começa a se recuperar, ainda que lentamente e com dificuldades, possivelmente no final deste ano ou no início do próximo (excluída a hipótese tenebrosa de uma segunda onda de contágio). As expectativas do brasileiro são sabidamente muito baixas. O alívio de ter superado a emergência de saúde pública abrirá espaço para que Bolsonaro, se ainda estiver no cargo, assuma ares de vencedor, reivindicando os louros do fim da pandemia e do início de recuperação econômica. Estaremos então a menos de dois anos da eleição presidencial – tempo de sobra para que ele possa se preparar para disputar a reeleição. 

Eis o que eu queria dizer: o afastamento desse presidente danoso depende crucialmente de timing. Não se pode dar o bote cedo demais. Como disse Emerson, “when you strike at the king be sure that you kill him” (quando atacar o rei, tenha certeza de que irá matá-lo). Mas também não se pode demorar além da conta e perder a oportunidade para sempre.

Da escolha do momento certo depende o destino de Bolsonaro e, mais importante, do próprio Brasil. 


¹Uma versão resumida deste artigo foi publicada na revista Carta Capital, em 1 de maio de 2020


O autor é economista, foi vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento, estabelecido pelos BRICS em Xangai, e diretor executivo no FMI pelo Brasil e mais dez países. Acaba de lançar pela editora LeYa o livro O Brasil não cabe no quintal de ninguém

E-mail: [email protected] 

Twitter: @paulonbjr 

Canal YouTube: youtube.nogueirabatista.com.br

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Venezuela decide enfrentar Ernesto Araújo e não vai retirar seus diplomatas do Brasil https://nocaute.blog.br/2020/04/30/venezuela-decide-enfrentar-ernesto-araujo-e-nao-vai-retirar-seus-diplomatas-do-brasil/ Thu, 30 Apr 2020 17:50:15 +0000 https://nocaute.blog.br/?p=64922 Em nota o governo da Venezuela rechaçou a decisão do Itamaraty que ordenou a expulsão de todos os funcionários diplomáticos venezuelanos do Brasil.

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Em nota o governo da Venezuela rechaçou a decisão do Itamaraty que ordenou a expulsão de todos os funcionários diplomáticos venezuelanos do Brasil.

República Bolivariana da Venezuela

A República Bolivariana da Venezuela cumpre com a obrigação de informar a comunidade internacional sobre as pressões indevidas exercidas pelo Governo da República Federativa do Brasil, ao pretender forçar a saída intempestiva do pessoal diplomático e consular venezuelano nesse país antes do dia 02 de maio, alegando supostas negociações prévias, que nunca foram celebradas.

Não satisfeito com as graves consequências que sofre o povo brasileiro, graças a atitudes negacionistas, por ter-se trasladado a esse país o epicentro da pandemia da COVID-19 na América Latina, o governo do senhor Jair Bolsonaro agora pretende acrescentar a falta de atenção à comunidade venezuelana no Brasil, com uma manobra que busca provocar o fechamento técnico dos escritórios consulares da Venezuela nesse país, após ter abandonado seus próprios compatriotas com a retirada unilateral do pessoal diplomático e consular do Brasil na Venezuela.

O direito internacional é claro sobre os mecanismos dos quais dispõem os países para resolver suas diferenças em matéria de relações diplomáticas e consulares, sendo a Convenção de Viena aquela que determina os procedimentos para declarar a inadmissibilidade dos agentes diplomáticos e consulares, bem como o regime derivado da administração das sedes consulares e a custódia dos bens e arquivos, do qual nada tem sido negociado em nenhum momento entre os governos do Brasil e Venezuela.

Consequentemente, informa-se que o pessoal diplomático e consular da Venezuela no Brasil não abandonará suas funções sob subterfúgios alheios ao direito internacional, cujo único propósito é enganar a opinião pública desse país, para dissimular sua clara subordinação ao governo norte-americano que hoje rege a outrora prestigiosa política exterior brasileira.

Caracas, 30 de abril de 2020

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Os outros 600 https://nocaute.blog.br/2020/04/21/os-outros-600/ Tue, 21 Apr 2020 14:06:34 +0000 https://nocaute.blog.br/?p=64269 Em seus novos e bem traçados versos, Marcílio Godoi pede pelo pão nosso de cada dia e também para que livrai-nos do mal, um mal para o país que tem nome e sobrenome.

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Marcílio Godoi

Em seus novos e bem traçados versos, Marcílio Godoi pede pelo pão nosso de cada dia e também para que livrai-nos do mal, um mal para o país que tem nome e sobrenome.

Oração dos
seiscentos reais

Dai-nos, Senhor, um auxílio emergencial,
algum ajutório, e nessa jaculatória
um PF ou um programa assistencial;

Fazei, ó Pai, que sejamos imunizados,
venha a nós algum presidente da república
com projeto de reconstrução dos estados;

Protegei-nos dos falsos pastores que querem
impor um dízimo cruel aos miseráveis,
aos que já nada têm, e até aos que devem;

Santificada seja nossa office-home
e livrai-nos desses filhos de chocadeira
que ora querem que morramos em seu nome;

Transformai a carreata dos escravistas
em cem mil cáfilas em linha no deserto,
sem um oásis de escravos negacionistas.

Oferecemo-vos as nossas quarentenas,
iluminai os broncopneumologistas
assim como enfermeiros em tão duras penas.

Armai-nos uns outros hospitais de campanha,
e que nos túmulos abertos se repousem
em paz aqueles que os males do Bozo apanham;

Respiradores mecânicos nos dai hoje
assim como nós costuramos nossas máscaras
mandai-nos EPIs, ressuscitai o conge;

Trazei de volta os nobres médicos cubanos
instalai sobre nosso solo as UTIs
que tem salvado as vidas de tantos hermanos;

Preservai o SUS e seus gratuitos remédios,
livrai-nos do mal da necropoliticagem
e dos ministros que só cuidam da Unimed;

Amém.

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A duração do exílio https://nocaute.blog.br/2020/04/10/a-duracao-do-exilio/ Fri, 10 Apr 2020 16:34:43 +0000 https://nocaute.blog.br/?p=63659 Um branco, um vazio, uma distância ou uma saudade enorme, que dói. O exílio tem formas e tempos. Pode durar uma eternidade como apenas um minutinho. Preste atenção nos poemas pugilistas de Marcílio Godoi.

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Marcílio Godoi

Um branco, um vazio, uma distância ou uma saudade enorme, que dói. O exílio tem formas e tempos. Pode durar uma eternidade como apenas um minutinho. Preste atenção nos poemas pugilistas de Marcílio Godoi.

A duração do exílio

O exílio pode durar uma tarde abafada
ou o tempo de uma louça branca,
enquanto se espatifa em câmera lenta
pelo chão da cozinha.

O exílio leva um inverno rigoroso para uns
e o susto de uma notícia ruim
ou trágica para outros.
O exílio é uma vida de martírio
e segregação para a maioria.
E uma sentença de morte lenta
para os mais desafortunados.

O exílio pode durar o tempo
de uma palavra dura,
dita de forma involuntária, mas cruel.
Mas na maior parte das vezes,
o exílio vai mesmo é exposto
na inflexão cortante do silêncio.

O exílio pode estar no intervalo da História,
naquela pausa em que a ela
já não mais pertencemos.
O exílio pode ser toda a existência
menos os dias em que podemos sonhar.
Nos outros, o exílio é o oposto da utopia.

O exílio muitas vezes está na fração
de segundo em que nos damos conta
de um grande fracasso, desilusão,
loucura, desonra ou solidão
irreversíveis sem amor.
O exílio pode estar pulsando
numa saudade inexplicável.

O exílio pode ficar numa doença incurável,
Ou ir num preconceito velado,
na incomunicabilidade imposta
pelos que nos expulsaram
de nossos direitos fundamentais.
O exílio está agora numa voluntária,
solidária quarentena.

Tantas formas há de exílio,
a mentira, o autoritarismo
e todos aqueles modos de fazer o outro
não mais caber neste mundo.

Um ente querido nos exila,
ao nos decepcionar.
Um político se autoexila
quando culpa, trai
ou oprime quem nele votou.

Quando condena sem provas um inocente,
ou quando se exime da verdade e das leis,
um tribunal também se exila da justiça.
Não se mede o exílio
apenas pelo território ausente,
pela terra interditada,
pela solidão do abandono
ou por qualquer isolamento
espacial, compulsório.

O exílio dura sempre o tempo
em que somos forçados
ou que nos forçamos a respirar,
por absoluta falta de alternativa,
na parte de fora de nós mesmos.
O exílio é não saber ao certo
quanto vai durar o exílio.

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Nós não temos governo. https://nocaute.blog.br/2020/03/26/nos-nao-temos-governo/ Thu, 26 Mar 2020 22:10:25 +0000 https://nocaute.blog.br/?p=62734 Nesta semana, pastor Ariovaldo Ramos fala de um país desgovernado chamado Brasil. “A gente não tem orientações precisas vindas da autoridade competente que é o presidente da República. As perguntas não são respondidas. É um absurdo! Nós não temos governo. O executivo está vazio! Como disse o moço do Haiti: Acabou, acabou, você não é mais presidente!”

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Nesta semana, pastor Ariovaldo Ramos fala de um país desgovernado chamado Brasil. “A gente não tem orientações precisas vindas da autoridade competente que é o presidente da República. As perguntas não são respondidas. É um absurdo! Nós não temos governo. O executivo está vazio! Como disse o moço do Haiti: Acabou, acabou, você não é mais presidente!”

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Iso-lamento https://nocaute.blog.br/2020/03/20/iso-lamento/ Fri, 20 Mar 2020 18:27:17 +0000 https://nocaute.blog.br/?p=62342 Cada qual no seu canto, em cada canto uma dor. Marcilio Godoi, em quarentena, traça em seus novos versos a necessidade de aprender a ser só, a necessidade de aprender a só ser.

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Marcílio Godoi

Cada qual no seu canto, em cada canto uma dor. Marcilio Godoi, em quarentena, traça em seus novos versos a necessidade de aprender a ser só, a necessidade de aprender a só ser.

Iso-lamento

Em conversa muito íntima
com botões quarentenados
asceta, vi o futuro
a que estamos nós fadados.

Pareceu-me distopia
lembrar as ruas sem gente
e caminhões de cadáveres
sem uma guerra aparente.

Se essa febre não nos mata
talvez nos faça mais fortes,
teremos tempo de sobra
para encararmos a morte.

Podíamos ver o céu
refletir um mar de estrelas,
mas, a pino, o sol lá fora
não nos consentia vê-las.

E esse excesso de luz
que a nós nos impedia
saber dos corpos celestes
roubou-nos tal primazia.

Mas nessa noite viral
certo as estrelas virão,
e verrugas ganharemos
contando-as do colchão.

Veremos estrelas-paz
e de solidariedade,
as nebulosa da dor
no céu da nossa cidade?

Talvez nos brilhe um afeto
invisível ao contato,
não mais brilhará a luz
dos antigos acetatos?

Cometas de gratidão
satélites solidários,
a humildade possível
a um planeta temporário?

E nesse escuro ouviremos
gemidos vindos dos túmulos,
ao longo de nossa história
acumulada de acúmulos?

Da janela, ver-se-ão
abaixo, o asfalto chamando;
ou acima, a lua nova
solidão nos irmanando?

A saber, o exato tanto
dessa vida em pouca escala,
o que seremos no mundo
à medida que encontrá-la?

E nesse profundo instante
muito brilhante afinal,
pousará em nossos olhos
a estrela mais brutal?

Por alguns, será lembrada
na Terra, o resto dos tempos,
em outros, a estrelamor
surgirá do isolamento.


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Lula, em quarentena, diz o que o governo deveria ter feito e não fez https://nocaute.blog.br/2020/03/20/lula-em-quarentena-diz-o-que-o-governo-deveria-ter-feito-e-nao-fez/ Fri, 20 Mar 2020 12:43:58 +0000 https://nocaute.blog.br/?p=62289 O ex-presidente Lula divulgou na noite de quinta-feira (19), um depoimento ao povo brasileiro em um vídeo de 14 minutos. Lula começou dizendo que sempre seguiu um conselho do ex-presidente Bill Clinton de que um ex-presidente não deve ficar avaliando o seu sucessor. Mas Lula, indignado com o circo montado por Bolsonaro e sua equipe na entrevista coletiva no início da semana, resolveu pontuar o que um governo Federal deveria ter feito e estar fazendo no caso de uma pandemia.

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O ex-presidente Lula divulgou na noite de quinta-feira (19), um depoimento ao povo brasileiro em um vídeo de 14 minutos. Lula começou dizendo que sempre seguiu um conselho do ex-presidente Bill Clinton de que um ex-presidente não deve ficar avaliando o seu sucessor. Mas Lula, indignado com o circo montado por Bolsonaro e sua equipe na entrevista coletiva no início da semana, resolveu pontuar o que um governo Federal deveria ter feito e estar fazendo no caso de uma pandemia como a do coronavírus que estamos vivendo atualmente. “Moro quer fechar a fronteira com a Venezuela? Ele devia fechar é a boca!”, disse Lula. Veja e ouça a íntegra do depoimento do ex-presidente.

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Organização Mundial da Doença https://nocaute.blog.br/2020/03/13/organizacao-mundial-da-doenca/ Fri, 13 Mar 2020 17:20:56 +0000 https://nocaute.blog.br/?p=61913 Meu mundo caiu! A grana foi corroendo todos os nossos prazeres do dia-a-dia, foi corroendo a natureza, os lugares por onde andamos, os lugares em que sempre sonhamos ver e viver. Marcílio Godoi faz um check-up do planeta Terra e constata que ele está doente.

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Marcílio Godoi

Meu mundo caiu! A grana foi corroendo todos os nossos prazeres do dia-a-dia, foi corroendo a natureza, os lugares por onde andamos, os lugares que sempre sonhamos ver e viver. Marcílio Godoi faz um check-up do planeta Terra e constata que ele está doente.

Organização Mundial da Doença

O dinheiro contaminou o rio
o dinheiro contaminou o mar
o dinheiro contaminou a floresta
o dinheiro contaminou o corrimão
o dinheiro contaminou até a morte.

Contaminou o ar
contaminou os livros
contaminou as risadas
contaminou as crenças.
Contaminou os ponteiros, as horas
e depois contaminou o amor.

O dinheiro contaminou o meu retrato
o dinheiro contaminou as minhas lembranças
o dinheiro contaminou todos os ratos
o dinheiro contaminou nossas crianças.

Contaminou a sopa
contaminou a represa
contaminou a roupa,
contaminou a beleza.

O dinheiro contaminou você, o jornal,
como o botão do elevador, a maquininha do cartão
eu mesmo estou todo contaminado pelo dinheiro
o dinheiro contaminou tudo, o teclado, o mouse
o metro, a rima e o país de ponta a ponta.

O dinheiro contaminou até o contágio
de modo que este poema
todo contaminado
já não conta.

 

Este mundo ainda tem jeito

Não permita que o dinheiro
lhe roube toda esperança
a que ficou, do desenho da criança
de que este mundo ainda tem jeito.

Vamos, dê-me esse prato de sopa
e diga-me apenas isso
nesta noite escura e fria:
Olha, este mundo ainda tem jeito.

Este pão, esta coberta
sob o concreto da marquise
ou do grande viaduto
mais aquece a sua culpa
por não se saber inocente
de que a maior caridade
solidária entre os homens
é feita de decisões políticas
de programas de inclusão
de educação a todos os filhos
que desaprofundem o abismo
entre as nossas dignidades.
Este mundo ainda tem jeito?

Mas eu lhe dou este consolo
eu lhe concedo este pedido,
vejo que anseia por ele,
vamos, dê-me sua roupa velha,
esta esmola de moedas,
este naco de sabão
este velho colchão.

Que eu lhe deixo pensar, em troca,
que este mundo ainda tem jeito
que é por sua alma alta
e sua generosidade imensa
sua infinita doação caridosa
é que este mundo, todo desfeito
ainda tem jeito.

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