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Fiocruz confirma furo do Nocaute: atrás de
 Brumadinho podem vir febre amarela e dengue

Estudo divulgado nesta terça-feira (5) pela Fiocruz – Fundação Instituto Oswaldo Cruz – confirma manchete publicada pelo Nocaute dois dias após o crime de Brumadinho: o rompimento da barragem de rejeitos tóxicos poderá trazer como consequência o surgimento de um surto de febre amarela e dengue. Veja abaixo o mapa então publicado pelo blog.

A Fiocruz divulgou nesta terça-feira (5) estudos sobre os impactos imediatos do desastre em Brumadinho. A análise procura avaliar os impactos do desastre da mineradora Vale em Brumadinho e alerta para a possibilidade de surtos de doenças infecciosas – dengue, febre amarela e esquistossomose -, mudanças no bioma e agravamento de problemas crônicos de saúde, como hipertensão, diabetes e doenças mentais. Mapas construídos pela Instituição permitiram identificar residências e unidades de saúde afetadas, comunidades potencialmente isoladas e as áreas soterradas pela lama.

A análise foi realizada pelo Observatório Nacional de Clima e Saúde do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde – Icict/Fiocruz com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, Agência Nacional das Águas – ANA e Datasus.

Dois dias depois do crime em Brumadinho, Nocaute publicou uma matéria alertando para os riscos de surto de dengue e outras doenças contagiosas como consequência do rompimento da barragem. Clique aqui para ler.

A pesquisa chama a atenção para a perda de condições de acesso a serviços de saúde, que pode agravar doenças crônicas já existentes na população afetada, assim como provocar novas situações que podem causar doenças mentais (depressão e ansiedade), crises hipertensivas, doenças respiratórias e acidentes domésticos, além de surtos de doenças infecciosas.

“Um aumento de casos de acidentes vascular-cerebrais foi observado após as enchentes de Santa Catarina em 2008 e do acidente de Fukujima, Japão, mesmo depois de meses dos eventos disparadores. Estes casos podem ser consequência tanto de situações de estresse e transtornos pós-traumáticos, quanto da perda de vínculo com os sistemas de atenção básica de saúde. Neste sentido, as doenças mentais decorrentes de grandes desastres ambientais podem ser sentidas alguns anos após o evento traumático, como relatado em Mariana”, informou Christovam Barcellos, pesquisador titular do Laboratório de Informação em Saúde do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Lis/Icict) da Fiocruz, integrante da equipe que realizou o estudo.

Além disso, destacou o pesquisador, as alterações ecológicas provocadas pelo desastre podem promover a transmissão de esquistossomose, principalmente se levado em consideração que grande parte do município de Brumadinho e municípios ao longo do rio Paraopeba não é coberta por sistemas de coleta e tratamento de esgotos. “A transmissão de esquistossomose é facilitada pelo contato com rios contaminados por esgotos domésticos e com presença de caramujos infectados”, disse.

Barcellos observa ainda que a degradação do leito do rio Paraopeba e de seu entorno vai produzir alterações significativas na fauna, flora e qualidade da água, como perda de biodiversidade, mortandade de peixes e répteis. “A bacia do rio Paraopeba é uma área de transmissão de febre amarela e um novo surto da doença não pode ser descartado. É urgente a vacinação da população”, ressaltou.

Neste vídeo os pesquisadores falam sobre os impactos sobre a saúde com o rompimento da barragem. Confira:

 

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