Leslie Salgado: com Temer e seu Chanceler qual será o destino dos BRICS?

A grande pergunta é: qual o impacto que terá a atual política exterior do Brasil para o futuro do grupo. China e Rússia, continuarão investindo no seu desenvolvimento?

 

Depois da 8ª. Reunião de Cúpula do BRICS, o grupo que integra Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, surgiram algumas análises otimistas e outras pessimistas aliadas à política dos grandes meios de comunicação do ocidente, que demonizam ou subestimam o grupo.

Porém, todas as análises parecem ter algo em comum, e temos que estar atentos, no mínimo atentos, sobre como a mudança na política exterior do Brasil sob o governo de Temer vai impactar no futuro do grupo.

Quero compartilhar com vocês um vídeo que fez sucesso nas redes sociais. Trata-se do Chanceler brasileiro quando interrogado, perguntado sobre o BRICS.

Serra: “O conjunto dos países maiores: Brasil, éé… Argentina, Argentina, não, perdão, Ìndia, China… (jornalista ajudando: África do Sul e Rússia). B de Brasil, R de Rússia, I de … Índia, C de … China, e S de… heim? (Alguém da plateia soprou: South Africa.)”

Acho que não precisa falar mais nada, porém tem muito mais – um artigo publicado recentemente no The Conversation por dois professores da Universidade de Birmingham expõe algumas das incoerências da política exterior de Temer em relação ao BRICS.

Embora o país, Brasil, tenha assinado o Acordo de Goa, aqui estão alguns pontos que entram em contradição com esse espirito de desafiar o poder do Ocidente na arena internacional. Um deles tem a ver com o discurso de posse do Chanceler. Serra disse que o Brasil destacaria, reforçaria os acordos bilaterais em matéria de comércio no cenário internacional. O BRICS aponta e destaca que prefere os acordos multilaterais.

O outro tema tem a ver com o Conselho de Segurança das Nações Unidas. Embora tenha sido uma longa demanda dos diplomatas brasileiros, essa demanda parece estar se diluindo sob o atual mandato.

E o outro tema é muito importante, porque tem a ver com o desejo de demolição legal do ex-presidente Lula e sua sucessora, a presidente Dilma Rousseff. E tem a ver com o número de embaixadas brasileiras na África. Do ano de 2003 ao ano de 2008, precisamente durante o mandato de Lula, cresceu consideravelmente o número de embaixadas brasileiras na África. Agora, Serra, o atual Chanceler brasileiro, mandou verificar o número dessas embaixadas. E eu digo que tem a ver com desmantelar o legado de Lula, porque em 2003, quando Lula realizou uma viagem pela África, ele assegurou esses vínculos com a África, os desenvolveu e estimulou. E este é um dos seus legados.

No entanto, Temer decidiu, ao que parece, jogá-lo por terra.

A grande pergunta é qual o impacto que terá a atual política exterior do Brasil para o futuro do grupo. China e Rússia, principalmente, continuarão investindo no seu desenvolvimento, mesmo porque o BRICS já é um ator importante no cenário internacional, embora o integrante marcado pela letra B do grupo mire o Ocidente e não o desenvolvimento das relações Sul-Sul, como fizeram os presidentes Dilma Rousseff e Lula.

 

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