“O sonho não acabou. O sonho está só começando!”
Aqui no Brasil perdemos. Mas ganhamos. Qualquer observador isento haverá de reconhecer que nos últimos três anos ressurgiu na cena política um personagem que não víamos desde o impeachment de Collor: o jovem.
Por Nocaute em 31 de outubro às 16h58
Por Fernando Morais
Com a apuração dos votos do segundo turno, as eleições de 2016 chegaram ao fim. Nós, do campo progressista, perdemos? Perdemos sim. Perdemos feio. Perdemos nas grandes capitais, perdemos em cidades médias, perdemos nos redutos eleitorais de alta concentração operária. Essa surpresa – a derrota entre trabalhadores – me fez lembrar as últimas eleições presidenciais da França, quando o Partido Socialista de François Hollande e a Frente de Esquerda, liderada por Jean-Luc Mélenchon, foram surrados pela extrema direita de Marine Le Pen exatamente nos redutos operários, antigos santuários dos comunistas e da esquerda em geral.
Aqui no Brasil perdemos. Mas ganhamos. Qualquer observador isento haverá de reconhecer que nos últimos três anos ressurgiu na cena política um personagem que não víamos desde o impeachment de Collor: o jovem. Não me refiro apenas aos jovens organizados no Levante Popular, na Mídia Ninja e nas ocupações escolares que começaram em São Paulo e hoje pipocam em todo o país. Nem mesmo às moças e rapazes entrincheirados nas redes sociais.
Estou falando do despertar da consciência política de centenas de milhares de adolescentes que ocuparam as ruas espontaneamente nos últimos meses. Primeiro na defesa do mandato de Dilma Rousseff e depois nos escrachos e manifestações contra o golpe de Estado liderado por Michel Temer, pelo PMDB, pelos tucanos e pelo velho PFL, hoje rebatizado de Dem.
Não se trata de fazer o jogo da Poliana nem de dourar a pílula da derrota. Mas nunca será demais lembrar que as primeiras manifestações contra o outro golpe, o de 64, vieram do movimento estudantil. Vinte anos depois foram os caras-pintadas que jogaram a primeira pá de cal no túmulo de Fernando Collor. Pode ser, inschallah!, que o fenômeno esteja se repetindo. Tudo indica que sim. No domingo à noite, mesmo com as eleições perdidas, uma multidão de jovens encheu o centro do Rio para se solidarizar com o candidato derrotado. E foi dele, de Marcelo Freixo, que veio a frase que pode se converter na nossa nova palavra de ordem: “O sonho não acabou. Está só começando!”
Apesar das ameaças, apesar da brutal repressão policial, permaneceremos nas ruas, ao lado dos nossos filhos e netos. Não podemos dar sossego aos golpistas. Só voltaremos para casa quando os virmos pelas costas.
Fora Temer! Abaixo o golpe!
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Atila Jose
01/11/2016 - 23h38
Uma derrota não esmorece quem sempre lutou pelo bem do Brasil, pelo contrário, só reforça
a vontade de lutar mais…
os golpistas podem destruir tudo entre sí, mas somente nós sobreviveremos…
o fim de alguma coisa é inevitável, e nós somos sempre o começo, e o recomeço…
Marival Guedes
01/11/2016 - 21h17
Numa visita que Brizola fez a Itabuna, já passava das 14 horas horas quando perguntaram-lhe se ele estava com fome. BriZola, bem humorado respondeu: Eu me alimento da própria luta.
Marcelo
31/10/2016 - 19h41
Estas eleições mostraram quem perdeu e quem “ganhou”. Para quem perdeu, como o Freixo, a derrota significa o preparo para recomeçar as lutas do futuro e isso não nos esmorece, pois as lutas estão em nosso DNA, e por isso, nos alimentam no processo dinâmico de nossa vida política. Os que ‘ganharam dormem preocupados com o pesadelo 2018.
Luiz Sérgio
31/10/2016 - 18h59
Quase o mesmo aconteceu em SP. No domingo seguinte à eleição milhares foram para a Paulista e houve uma enorme manifestação de apoio a um candidato que tinha acabado de ser derrotado nas urnas. Foi ima manifestação muito bonita que marcou exatamente esse mesmo sentimento: fomos derrotados, mas o sonho não acabou!
Atila Jose
01/11/2016 - 23h39
A gente começa do zero, quantas x for preciso…