Morreu Ricardo Zarattini, um combatente incansável.

Morreu neste domingo, aos 82 anos, o ex-deputado federal Ricardo Zarattini, querido amigo de muitos anos. Zara, como era conhecido, foi resistente à ditadura militar, passou para a clandestinidade após o golpe de 1964. Foi preso, torturado e exilado.

Morreu neste domingo (15) em São Paulo, aos 82 anos, o ex-deputado federal Ricardo Zarattini, um querido amigo de muitos anos.

Zara, como era conhecido, nasceu em Campinas (SP) no dia 06 de fevereiro de 1935, filho de Ricardo Zarattini e Annita Zarattini. Iniciou sua militância política em 1952, na campanha “O petróleo é nosso”, quando se aproximou do Partido Comunista do Brasil (PCB). Foi presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo entre 1959 e 1960. Em 1961 participou da mobilização pela posse de João Goulart na Presidência.

Zara se formou em engenharia civil pela Escola Politécnica da USP em 1962. Trabalhou na Companhia Siderúrgica Paulista (COSIPA), período em que atuou em conjunto com os operários metalúrgicos da Baixada Santista de diversas lutas sindicais e greves, incluindo a conquista do 13º salário. Foi diretor do Sindicato dos Metalúrgicos da cidade de Santos.

Demitido da Cosipa após participar de uma greve na empresa, trabalhou na Máquinas Moreira, que produzia equipamentos agrícolas e que o transferiu para Pernambuco, quando aproximou-se do movimento estudantil e do movimento sindical da zona canavieira.

Após o golpe de 1964 passou para a clandestinidade e militava na reorganização do movimento sindical dos trabalhadores rurais no Nordeste.

Em 10 de dezembro de 1968, três dias antes da decretação do AI-5, Zarattini foi em companhia do italiano Dario Canale sob a acusação de terem entrado ilegalmente no Brasil com armas para a luta contra a ditadura.

Zara, além disso, era acusado por um atentado a bomba no Aeroporto dos Guararapes, em Recife que matou duas pessoas e feriu outras catorze. O alvo da ação era o então candidato e depois presidente, marechal Costa e Silva. Ele desembarcaria às 8h30 do dia 25 de julho de 1968 no Recife.

Anos depois soube-se que ele nada tivera a ver com a explosão. Em depoimento à Comissão Estadual da Verdade, Zarattini disse: “O que fere mais é essa coisa que fica até hoje, de as pessoas falarem ‘ah, esse é aquele da bomba do aeroporto?’”.

Chamado de “Professor”, quando preso no Quartel Dias Cardoso, no Recife, ensinou matemática e português a cabos e sargentos. Graças à colaboração deles, fugiu da prisão. Após a fuga, obteve abrigo no Convento das Dorotéias, com ajuda de Dom Helder Câmara, até voltar para São Paulo no ano seguinte.

Em São Paulo, Zarattini foi preso novamente no dia 26 de julho de 1969 pela OBAN (Operação Bandeirantes) do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) e foi torturado mais uma vez.

Ainda em 1969, uma ação conjunta da ALN (Ação Libertadora Nacional) e do MR8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro) exigiu a libertação de 15 presos políticos, entre eles Gregório Bezerra, Vladimir Palmeira, José Dirceu e o próprio Ricardo Zarattini, em troca da libertação do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, sequestrado por essas organizações.

O governo militar decretou o banimento indefinido para os 15 presos políticos libertos naquela ação. Zarattini deixou a prisão para o exílio no México. Lá foi redator do jornal Excelsior, e depois foi para Cuba, onde viveu por quase dois anos.

Depois de viajar pela Coréia do Norte, China, URSS, Itália e França, ficou no Chile em 1971 na condição de exilado político. Quando Salvador Allende foi deposto pelo golpe, em 1973, Zarattini foi para a Argentina. Em 1974 retornou ao Brasil e permaneceu na clandestinidade.

Em maio de 1978, Zarattini foi preso, levado para a Rua Tutóia, sede do Doi-Codi, sofrendo diversas sessões de tortura. Após semanas, foi transferido para o presídio militar do Barro Branco onde ficou até 1979, quando a Anistia foi aprovada. Zarattini foi o primeiro brasileiro a ter o banimento revogado.

Filiou-se ao Partido Democrático Brasileiro (PDT), de Leonel Brizola.

No início dos anos 1980, Zarattini participou da Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras (CONCLAT) e do apoio às greves dos metalúrgicos do ABC paulista.

Em 1982, Zarattini foi candidato a deputado federal pelo Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), na condição de militante e dirigente do MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro), mas não foi eleito.

Trabalhou como assessor parlamentar na Assembleia Nacional Constituinte entre 1987 e 1988.

Em 1992, coordenou a primeira campanha do filho Carlos Zarattini, candidato a vereador da cidade de São Paulo, que obteve uma suplência.

Em 1993, a convite de Leonel Brizola, foi trabalhar na Assessoria Técnica da Liderança do PDT na Câmara dos Deputados. Participou das campanhas de Lula nos anos de 1994 e 1998. Foi assessor da liderança do PDT, embora filiado ao PT, até 2002.

Em 2002, Zarattini candidatou-se a deputado federal em São Paulo pelo PT, obtendo uma suplência. Trabalhou na Casa Civil por 13 meses, de 2003 a 2004, como assessor especial da Secretaria de Relações Parlamentares da Casa Civil, com a missão de acompanhar no Congresso Nacional a tramitação das Medidas Provisórias editadas pelo presidente Lula.

Em janeiro de 2004, com a posse de Aldo Rebelo como ministro da Coordenação Política e Relações Institucionais do governo Lula, Zarattini ocupa a vaga de deputado federal.

Zarattini exerceu o mandato de deputado federal até junho do mesmo ano, quando Zé Dirceu deixa a Casa Civil para retornar a Câmara dos Deputados.

Em abril de 2005 foi lançada a biografia de Ricardo Zarattini, “Zarattini – a paixão revolucionária”, escrito por José Luiz Del Roio, com prefácio de Franklin Martins, ministro da Comunicação Social do governo Lula.

Em 2007 recebeu da Câmara Municipal de São Paulo o título de Cidadão Paulistano.

Zara teve um casal de filhos, a fotógrafa Monica Zarattini e o engenheiro Carlos Zarattini, que atualmente é deputado federal por São Paulo pelo PT.

O velório se dará a partir da meia-noite de hoje até às três da tarde de amanhã no Cemitério São Paulo.

10 Comentários

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Carlos

18/10/2017 - 22h20

Político que teve forte influência marxista, tentaram dar um golpe comunista em 1964, mas foram sufocados pelo nosso exército. Nunca houve golpe militar , nem ditadura militar. Quer saber o que é ditadura, olhem para Cuba.

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Marcos Danilo Efon Franco

16/10/2017 - 22h37

Nunca lutou por Democracia. Combateu o regime de exceção na tentativa de implantar uma ditadura do proletariado a modelo Cuba, inclusive com fuzilamento de inocentes.

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Reginaldo Boettger

16/10/2017 - 18h37

Menos um COMUNISTA FILHO DA PURA NO MUNDO… VAI PRO INFERNO SEM ESCALAS… KKKKKK Ah o Diabo não quer senão finda o PR la e Vi de tudo…

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Yoman Bittencourt

16/10/2017 - 17h01

Sei que é impossível você, Zaratine,saber agora, mas sua luta não cessará jamais…

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Pachequinho

16/10/2017 - 16h37

Quem é do PT, PCdoB, PMDB ou ligado ao corruptos foi tarde que queima nos quintos dos infernos, porque aqui fud… o país e todos até os que votaram neles.
Só lembrando se o diabo deixar não sai porque la você já conhece se voltar você vai ter muitos inimigos…

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Francisco lucimar

16/10/2017 - 12h12

Impossível um marginal comunista descansar em paz, isso tá no.marmore do inferno para pagar suas atrocidade.

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Joao Ulisses de Lima

16/10/2017 - 09h24

Os meus sinceros sentimentos ao Carlos Zarattini e família……

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Ivan Monte

16/10/2017 - 07h20

Homens como ele não morrem, senão perderíamos todo e qualquer esperança…

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sayuri carbonnier

16/10/2017 - 06h12

hasta siempre companero velho Zara, Ricardo amigo por mais de sessenta anos descanse em paz! voce eh muito mais que essa resenha biografica que esta bem correta mas um tanto linear. Traduziremos para o espanhol, ingles, frances e alemao para que muitas amigos e admiradores do mundo inteiro poderem compartilhar seu ideal e com afeto imenso dizer calado – Adeus Zaratini, hasta siempre companero.

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Juarez Malta

15/10/2017 - 22h54

Menos um parceiro nas trincheiras, menos um no combate ao totalitarismo que avança. Meus sentimentos, família Zarattini!

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